Pequim está promovendo ampla expansão de seu programa de armas nucleares e tem rejeitado as tentativas de Washington para iniciar diálogo sobre controle desse tipo de armamento Bandeiras dos EUA e da China — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de Arquivo A China deu aos Estados Unidos apenas algumas horas de antecedência sobre um teste de lançamento de míssil balístico realizado em 6 de julho e forneceu informações insuficientes, afirmou nesta quarta-feira um funcionário do Departamento de Estado americano. As Forças Armadas chinesas lançaram na segunda-feira um míssil a partir de um submarino de propulsão nuclear em direção ao Oceano Pacífico, informou a imprensa estatal chinesa, provocando críticas dos EUA, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Taiwan. As declarações do funcionário do Departamento de Estado nesta quarta-feira reforçam a crescente preocupação de Washington com o lançamento. "A notificação da China aos Estados Unidos ocorreu apenas algumas horas antes do lançamento e não forneceu detalhes suficientes, ficando muito aquém dos padrões adotados pelos demais Estados com armas nucleares do P5", afirmou o funcionário. O P5 é formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) – China, EUA, Reino Unido, França e Rússia – e reúne os únicos países reconhecidos como Estados dotados de armas nucleares pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear de 1968. "O teste ocorreu em meio à rápida e pouco transparente expansão do arsenal nuclear da China e é motivo de grande preocupação para a região", acrescentou. Em nota enviada à Reuters, o funcionário afirmou que lançar mísseis com capacidade nuclear sem participar do mecanismo diplomático regular de notificação prévia é uma atitude "irresponsável". "Instamos Pequim a participar de discussões significativas sobre estabilidade estratégica e controle de armas", disse o funcionário, acrescentando que os Estados Unidos "permanecem firmes em seus compromissos de defesa com seus aliados e parceiros". A agência estatal chinesa Xinhua descreveu o lançamento como um "procedimento rotineiro" do treinamento militar anual e afirmou que ele não foi direcionado contra nenhum país ou alvo específico. A embaixada da China em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Embora Pequim não tenha especificado qual tipo de míssil foi lançado, o tabloide estatal Global Times, citando um especialista militar, afirmou que provavelmente se tratava do JL-3, o míssil lançado de submarinos mais avançado da China. Segundo um relatório do Pentágono, esse míssil é capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos a partir das águas costeiras chinesas. A China, que está promovendo uma ampla expansão de seu programa de armas nucleares, tem rejeitado repetidamente as tentativas dos Estados Unidos de iniciar um diálogo sobre controle de armas nucleares. Pequim argumenta há muito tempo que Washington já possui um arsenal muito maior. Em 2024, a China interrompeu as negociações iniciais sobre o tema com os Estados Unidos em protesto contra as vendas de armas de Washington para Taiwan, governada democraticamente, mas reivindicada por Pequim como parte de seu território.