Ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, disse que o governo australiano foi informado previamente sobre exercício, mas classificou o lançamento como 'desestabilizador' A bandeira nacional chinesa tremula ao vento sobre o rio Yalu, com edifícios da cidade norte-coreana de Sinuiju ao fundo, na margem oposta, em Dandong, província de Liaoning, China, 8 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/ Maxim Shemetov As Forças Armadas da China realizaram nesta segunda-feira o teste de um míssil lançado por um submarino de propulsão nuclear em direção ao Oceano Pacífico, informou a imprensa estatal. O exercício gerou críticas e preocupação de Japão, Austrália e Nova Zelândia com a expansão da presença militar de Pequim na região. Um submarino nuclear da Marinha do Exército de Libertação Popular lançou o míssil, equipado com uma ogiva simulada, em direção às águas internacionais do Pacífico às 12h01 no horário local (1h do horário de Brasília), informou a agência oficial Xinhua. Segundo a agência, o míssil caiu em "águas previamente designadas", sem fornecer detalhes sobre a localização. A Xinhua classificou o lançamento como um "procedimento rotineiro" do programa anual de treinamento militar da China e afirmou que ele não foi direcionado contra nenhum país ou alvo específico. A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, disse que o governo australiano foi informado previamente sobre o teste, mas classificou o lançamento como "desestabilizador" para a região. "O teste ocorre em um contexto de rápida expansão militar da China, que carece da transparência e das garantias quanto às suas intenções que a região espera", afirmou Wong a jornalistas durante entrevista coletiva em Suva, capital de Fiji. O teste ocorreu apenas algumas horas depois de Austrália e Fiji assinarem, nesta segunda-feira, uma ampla aliança de defesa pela qual os dois países se comprometem a prestar assistência mútua caso qualquer um deles seja atacado. Há anos, Pequim disputa influência nas ilhas estrategicamente localizadas do Pacífico com potências ocidentais lideradas pelos Estados Unidos e pela Austrália, ao mesmo tempo em que busca ampliar sua presença econômica e de segurança no Pacífico Sul. Mark Douglas, analista da empresa neozelandesa de monitoramento marítimo Starboard Maritime Intelligence, afirmou que o teste havia sido planejado com bastante antecedência, mas observou que o momento escolhido pela China para comunicar o lançamento — logo após Austrália e Fiji assinarem a Aliança Oceano de Paz — foi, "no mínimo, interessante". Questionada sobre o acordo de defesa, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que Pequim espera que os países envolvidos respeitem a independência e a autonomia das nações insulares e se abstenham de tomar medidas que tenham como alvo ou prejudiquem os interesses de terceiros. O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, afirmou que o país está profundamente preocupado com o teste. "Parece que, apesar de nossas preocupações de longa data sobre esse tipo de atividade, a China realizou o teste poucas horas depois de nos informar", disse Peters em comunicado. "A Nova Zelândia considera esse um acontecimento indesejado e preocupante. Assim como nossos vizinhos de outros países do Pacífico, não temos interesse em que a China utilize o Pacífico Sul como área de testes para sua capacidade de lançamento de mísseis", prosseguiu. O governo japonês informou que recebeu aviso prévio sobre o lançamento do míssil e pediu à China que reconsiderasse a operação. "Manifestamos nossa profunda preocupação com o aumento das atividades militares chinesas", afirmou Tóquio, acrescentando que as autoridades chinesas notificaram a Guarda Costeira japonesa no domingo sobre a possível queda de destroços espaciais na zona econômica exclusiva (ZEE) do Japão. A agência Kyodo informou nesta segunda-feira, citando uma fonte do governo japonês, que o míssil caiu fora da ZEE japonesa. O secretário-chefe do gabinete japonês, Minoru Kihara, afirmou em entrevista coletiva que o Japão não recebeu nenhum relato de danos a aeronaves ou embarcações em decorrência do teste. Respondendo às críticas dos países da região, Mao afirmou que o lançamento foi conduzido "de forma segura, padronizada e profissional em todas as etapas". "Esperamos que os países envolvidos não interpretem esse episódio de forma exagerada", declarou ela durante entrevista coletiva em Pequim. É raro que a China lance mísseis de longo alcance em direção ao mar. O último teste de um míssil balístico intercontinental ocorreu em 2024 e evidenciou o avanço das capacidades militares do país. O novo teste ocorre em um momento de intensificação das atividades militares chinesas na região. Um alto funcionário de segurança de Taiwan afirmou nesta segunda-feira que a ilha acompanha uma "tendência de aumento" na movimentação da Marinha chinesa durante o período de maior intensidade dos exercícios militares, incluindo manobras conjuntas com a Rússia.