"Não estamos vivendo o declínio americano para a China", diz Gunther RudzitEspecialistas Gunther Rudzit e Cristina Pecequilo debatem a política americana, de George Washington a Donald Trump. Gerando resumoA China realizou nesta segunda-feira, 6, um teste de lançamento de um míssil balístico de longo alcance a partir de um de seus submarinos nucleares no Oceano Pacífico. O teste, o segundo do tipo em quase dois anos preocupou países da região.PUBLICIDADEJapão, Austrália e Nova Zelândia consideraram a medida desestabilizadora e ocorre durante exercícios militares em conjunto com a Rússia e em meio à tensão com o Tóquio, em virtude de comentários da premiê Sanae Takaichi sobre Taiwan. Segundo comunicado da Marinha chinesa, o lançamento ocorreu às 12h01 no horário local (1h01 em Brasília), quando um submarino nuclear estratégico do Exército de Libertação Popular disparou um míssil equipado com uma ogiva de treinamento em direção ao alto-mar no Oceano Pacífico, atingindo a área marítima previamente designada.PublicidadeO teste foi realizado no mesmo dia em que China e Rússia iniciariam seus exercícios navais anuais nas proximidades do porto militar de Qingdao, no leste da China. Até o momento, as autoridades chinesas não esclareceram se o lançamento integrou oficialmente as manobras militares conjuntas.Lançamento feito por submarino nuclear ocorre em meio a exercícios navais com a Rússia e provoca preocupação de países da região Ásia-Pacífico Foto: Marinha dos EUA via APO ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, afirmou em um comunicado que o país estava profundamente preocupado e o teste parecia fazer parte de um padrão recorrente da China.“A Nova Zelândia considera isso um desdobramento indesejado e preocupante. Nós, assim como nossos vizinhos em outros países do Pacífico, não temos interesse em que a China utilize o Pacífico Sul como local de testes para capacidades de mísseis”, disse ele.PublicidadeA ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, classificou o teste como desestabilizador para a região e afirmou que ele ocorreu “no contexto de uma rápida expansão militar da China”.O governo japonês declarou na segunda-feira que havia transmitido sua séria preocupação em relação à intensificação das atividades militares da China. O Japão havia instado a China a reconsiderar o lançamento após receber o aviso, segundo o comunicado.No ano passado, uma força-tarefa naval chinesa também realizou exercícios com disparos reais no Mar da Tasmânia, entre a Austrália e a Nova Zelândia, levando dezenas de voos civis a mudar de rota para evitar a área.PublicidadeTestando capacidades e reaçõesJohn Blaxland, professor de segurança internacional na Universidade Nacional da Austrália e ex-oficial de inteligência militar australiano, disse que Pequim estava testando não apenas suas próprias capacidades, mas também as reações dos países da região e dos Estados Unidos.“O que a China está fazendo, assim como faz com Taiwan, é sondar, testar e, gradualmente, normalizar um comportamento intrusivo, assertivo e autoritário”, afirmou.Jeffrey Lewis, especialista do Middlebury College, em Vermont, que estuda a modernização das armas nucleares da China, disse acreditar que os militares chineses provavelmente estavam testando o JL-3, um míssil balístico intercontinental (ICBM) de nova geração projetado para transportar uma ogiva nuclear e ser lançado de submarinos.PublicidadeCONTiNUA APÓS PUBLICIDADEA China exibiu o míssil JL-3 em um desfile militar em Pequim no ano passado. Um relatório do Pentágono de 2023 indicou que o míssil estava sendo implantado na geração mais recente de submarinos chineses, tornando-os capazes de atingir o território continental dos EUA a partir da costa chinesa. Para Lewis, a região deve esperar mais testes.“Isso sugere uma nova era de testes, na qual cada sistema terá seu momento de destaque”, afirmou ele, referindo-se à crescente gama de mísseis com capacidade nuclear da China. Ele disse que mais testes desse tipo dariam à China maior confiança em sua capacidade de dissuasão nuclear.“Historicamente, os chineses realizaram menos testes de seus ICBMs do que outros países”, disse Lewis. “Acredito que isso se devia a questões políticas; agora, essa dinâmica mudou, e creio que eles estão adotando uma abordagem de realizar mais testes. Eles estão dispostos a arcar com os custos políticos disso, algo que não estavam no passado.”PublicidadeAvanço no arsenal atômicoOs mísseis lançados por submarinos da China têm sido, há muito tempo, um ponto fraco na capacidade de dissuasão nuclear do país. Seus submarinos de propulsão nuclear são mais ruidosos do que os de outras potências, especialmente os dos Estados Unidos, o que os torna mais fáceis de detectar e, potencialmente, de destruir.