PUBLICIDADE Por trás do marasmo da divisa com Rússia e Coreia do Norte, há uma complexa relação com as duas potencias nucleares vizinhas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mercado com letreiro em chinês, russo e coreano na cidade de Hunchun, extremo leste da China — Foto: Marcelo Ninio RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/06/2026 - 18:37 Relações Geopolíticas na Tríplice Fronteira China-Rússia-Coreia do Norte A tríplice fronteira entre China, Rússia e Coreia do Norte é marcada por uma complexa rede de relações geopolíticas. A cidade de Hunchun, ponto de encontro dos três países, é cenário de trocas culturais e econômicas, apesar das tensões históricas. A visita de Xi Jinping à Coreia do Norte destaca a importância estratégica deste vizinho excêntrico. Enquanto isso, a dependência norte-coreana da China é questionada pela crescente aliança com a Rússia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A julgar pelas expressōes de surpresa e curiosidade nos dois lados, não é todo dia que aparece um brasileiro querendo cruzar por terra a fronteira entre a China e a Rússia. A distância da cidade chinesa de Hunchun até a russa Kraskino não chega a 30 quilômetros. Mas na fila de caminhões, a travessia pode levar até oito horas num dia qualquer. “É imprevisível”, avisa a bilheteira na rodoviária do lado chinês. Um passaporte exótico, como é o brasileiro por aqui , pode significar tempo extra de espera, para aflição dos sacoleiros que ocupam o mesmo ônibus. Encravada no extremo leste do país, Hunchun é uma cidade meio sonolenta, conhecida pelos caranguejos gigantes cozidos no vapor. E mais, por ser aquele ponto remoto no mapa onde a China encontra a Rússia e a Coreia do Norte. Por trás do marasmo dessa tríplice fronteira, está uma complexa teia de relaçōes, moldadas por alianças históricas e desconfianças. O nome do jogo é cautela. Nenhum dos três países está na Copa, é fato, mas todos têm armas nucleares. Pensando em reduzir o imprevisível na equação, o presidente da China, Xi Jinping, esteve na Coreia do Norte na semana passada, sua primeira viagem ao exterior este ano. Ficou claro o peso que o excêntrico vizinho ganhou no tabuleiro geopolítico regional. A camaradagem tem laços de sangue. China e Coreia do Norte perderam milhares de homens lutando lado a lado contra os Estados Unidos no início da década de 1950. Desde então, mantêm trocas intensas na economia e na segurança. O pacto de defesa mútua de 1961 foi renovado em 2021, para mais vinte anos. Isolada por opção ideológica e por sanções internacionais, a Coreia do Norte tem na China um elo vital para se manter viva. Parque temático russo "Vostock Happy Island", na cidade chinesa de Hunchun — Foto: Marcelo Ninio A dependência deixava Pequim numa posição confortável como a potência mais influente em Pyongyang. Mas a balança começou a se mover a partir da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Kim Jong-un, o líder norte-coreano, viu na guerra uma oportunidade. Enviou armas e tropas para a campanha russa, turbinando sua economia e as relações com Moscou. De quebra, elevou seu cacife com a China, o antigo patrono. Por isso, a visita de Xi. Enquanto isso, na tríplice fronteira as tretas geopolíticas se dissolvem no caldo das prioridades cotidianas. Hunchun fica no distrito autônomo da minoria étnica coreana na China. Três culturas, cardápio variado. Batidão russo nos alto-falantes, tempero coreano nos pratos, um negócio da China. Para os russos que vêm fazer compras, a “guinada para o leste” pensada no Kremlin após o rompimento com o Ocidente é só mais uma terça-feira. — Normal. Minha casa está bem mais perto de Pequim que de Paris — ri Ivan, enchendo o carrinho num mercadão de Hunchun antes de voltar a Vladivostok, onde mora com a mulher e dois filhos. Aqui não se fala, mas há uma fricção adormecida. Afinal, Vladivostok era a cidade chinesa de Haishenwai até 1860, quando virou território russo num tratado que até hoje os ultranacionalistas chineses não engolem. Neste momento, deixam para lá. Na gangorra da História, a China é a potência da vez, mesmo que, neste território, poder seja algo relativo. Ainda mais em época de Copa. — Que bom que o Neymar foi convocado — diz o policial chinês na fronteira, deixando por um segundo o jeito durão. — Sempre torço pelo Brasil. Com ele fica mais fácil.
Viagem à tríplice fronteira da China
Por trás do marasmo da divisa com Rússia e Coreia do Norte, há uma complexa relação com as duas potencias nucleares vizinhas






