Declaração em defesa do multipolarismo assinada durante a visita de Putin reafirma ambição antiga dos dois países, mas agora sob os termos de Pequim Os líderes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, durante encontro em Pequim — Foto: Alexander Kazakov/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 07:34 China e Rússia Fortalecem Aliança Estratégica para Ordem Multipolar China e Rússia reafirmam a aliança estratégica para uma nova ordem mundial multipolar, com a visita de Putin a Pequim. Xi Jinping destaca a parceria prioritária com a Rússia, em detrimento dos EUA, numa crítica ao unilateralismo americano. A relação, agora assimétrica a favor da China, reforça a dependência econômica da Rússia. A declaração conjunta assinala intenções comuns contra a hegemonia ocidental. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O que esperar da visita à China do presidente russo, Vladimir Putin? Diante dessa pergunta, na véspera da chegada de Putin a Pequim na última terça, Fyodor Lukyanov, um dos mais conhecidos analistas de política internacional da Rússia, deu uma resposta que reflete a intimidade construída entre os dois países nos últimos anos: "Os contatos são tão frequentes que não precisamos esperar algo especial de cada um deles". Ainda assim, o resultado da visita é notável pela reafirmação de como a parceria Moscou-Pequim pretende se projetar no mundo, em desafio declarado ao sistema internacional arquitetado a partir do fim da Segunda Guerra Mundial sob a liderança dos Estados Unidos. Conhecida pelo estilo muitas vezes oblíquo, a diplomacia chinesa tampouco deixa de dar o seu recado. E cada vez mais, a mensagem principal é a que foi dada a Trump em Pequim pelo presidente chinês, Xi Jinping: "Oriente em ascensão, Ocidente em declínio". Para a China, a visita de Putin a Pequim dias após a de Trump serviu como uma oportunidade para ordenar suas prioridades estratégicas: se a relação com os EUA é a mais importante e com mais consequências, que fique claro: a parceria principal é com a Rússia. Foi nesse espírito que Xi e Putin firmaram um documento cujo título mais parece um preâmbulo para a nova ordem mundial que ambos defendem: "Declaração Conjunta sobre o Estabelecimento de um Mundo Multipolar e um Novo Tipo de Relações Internacionais". O texto assinado nesta quarta em Pequim remete a outros cinco documentos bilaterais com propósitos parecidos. A começar pelo de 1997, que defende já no título "a formação de uma nova ordem internacional". Na época, a Rússia era governada pelo instável Boris Yeltsin e ainda vivia a ressaca do fim da União Soviética, mas mantinha uma certa superioridade sobre a China, que ainda precisava de parcerias científicas com Moscou. Nesta foto distribuída pela agência estatal russa Sputnik, o presidente da Rússia, Vladimir Putin (E), e o presidente da China, Xi Jinping (D), apertam as mãos durante uma cerimônia de assinatura após suas conversações em Pequim, em 20 de maio de 2026 — Foto: Alexander KAZAKOV / POOL / AFP O mais recente documento havia sido o de fevereiro de 2022, tornado célebre pela expressão que passou a caracterizar a relação bilateral: "amizade sem limites". Três semanas depois, Putin ordenou a invasão da Ucrânia. Atingida por sanções do Ocidente, a Rússia em guerra tornou-se dependente economicamente da China, que passou a ser o principal destino de seu petróleo e também o maior fornecedor de produtos manufaturados para o mercado russo. Hoje a relação é claramente assimétrica a favor da China, cuja economia tem alcance global e é dez vezes maior que a da Rússia. Nesse contexto, embora a nova declaração se assemelhe a outras assinadas entre os dois países, desta vez os termos têm orientação e tom visivelmente ditados por Pequim. Isso fica evidente pela adoção comum de alguns termos usados nos últimos tempos pela liderança chinesa, como o alerta para o perigo de um "retorno à lei da selva" — crítica velada ao unilateralismo dos EUA de Donald Trump. Presidentes dos EUA, Donald Trump (dir.), e da China, Xi Jinping, após visita complexo governamental de Zhongnanhai em Pequim — Foto: Evan Vucci/ AFP/ 15-5-2026 O que fica dessas últimas duas semanas é que a China recebeu os presidentes das duas maiores potências nucleares numa posição de força, com capacidade para obter benefícios sem fazer grandes concessões. Em sua visita a Pequim, Putin voltou a fazer declarações de afeto a Xi Jinping e foram assinados dezenas de acordos, mas o presidente russo saiu sem o que mais queria, um compromisso chinês mais concreto com a construção do gasoduto Força da Sibéria 2, com potencial para dobrar o fornecimento. De todo modo, a parceria "sem limites" parece ter sido fortalecida. Além dos interesses geopolíticos comuns reiterados na nova declaração, de combater a hegemonia dos EUA, a geografia e a história unem os dois países, lembrou Fyodor Lukyanov à TV estatal chinesa. Ainda mais num momento em que o antigo sistema internacional está em estado de erosão e todos os países passam a dar mais atenção às suas respectivas regiões, afirmou. Isso significa que para dois grandes países vizinhos como Rússia e China, esta relação automaticamente vira a mais importante, completou Lukyanov.
China e Rússia dão as mãos para promover nova ordem mundial
Declaração em defesa do multipolarismo assinada durante a visita de Putin reafirma ambição antiga dos dois países, mas agora sob os termos de Pequim











