Prometi na semana passada que falaríamos da visita do presidente americano à China, mas talvez seja mais interessante comparar os contrastes com o líder russo.
Xi Jinping recebeu Donald Trump e Vladimir Putin no mesmo salão, com as mesmas honras militares e com as mesmas crianças agitando bandeiras. A coreografia idêntica foi deliberada, mas o que importa está nas costuras que Pequim deixou visíveis de propósito.
A diferença mais comentada foi a protocolar. Trump foi recebido no aeroporto pelo vice-presidente Han Zheng, cargo cerimonial fora do núcleo decisório do Partido Comunista. Putin também teve Han, mas somado ao chanceler Wang Yi. Na hierarquia formal, Han Zheng tem posição superior, mas na hierarquia real do poder, Wang Yi pesa muito mais.
Pequim calibrou o protocolo para que cada visitante lesse a mensagem que lhe convinha, sem que nenhum pudesse reclamar de tratamento inferior. Com Trump, Xi buscou estabilização, levando o americano ao Templo do Céu e aos jardins de Zhongnanhai, um gesto raro que alimentava o apetite de Trump por tratamento exclusivo.
A visita não terminou com declaração conjunta nem cerimônia de assinatura. Os entendimentos foram anunciados separadamente, incluindo a compra de 200 aviões Boeing e de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas que ainda não se sabe quando se concretizarão.














