Dos temas da moda, aqueles que o algoritmo joga na nossa cara até que tomemos alguma providência consumista a respeito, o meu preferido é o desejo coletivo de migrar para o campo. A vida pós-Covid pede um futuro de ar puro e relógio de sol, como era no tempo dos nossos avós.
Seria uma evolução natural das matérias sobre o aumento das compras de plantas para os apartamentos na pandemia? Eu mesma comprei muitas. Foi dinheiro perdido, morreram todas.
As primeiras a morrer foram as samambaias. Sol demais não pode. Escuridão, também não. De vento ela não gosta, acha incômodo para os cabelos. Tem que borrifar água mineral nas folhas, mas com parcimônia. Até banho de chuveiro me aconselharam, sem remover o substrato.
Elas precisam de ar para meditar nos seus horários. Ar, brisa, nada de vento, são coisas diferentes. A temperatura e acidez da água interferem. Tem que conversar, cantar e colocar música clássica. Fiz isso tudo. Testei todos os lugares do apartamento onde eu morava. Morreram, mesmo assim.
Um dos lugares onde testei o bem-estar de uma das minhas samambaias, que Deus a tenha, foi a varandinha minúscula do meu quarto. Depois que ela faleceu, decretei que não tentaria mais e deixei lá o cadáver por um tempo antes de jogar no lixo com terra, vaso, tudo.








