Modas vem e vão toda semana, mas base do equilíbrio continua sendo vida ativa, conexões e sono 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Conexões afetivas estão entre as chaves da saúde mental — Foto: Unsplash RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 21:14 "Saúde Mental: Voltar ao Básico é Essencial em Meio às Tendências" O artigo discute a importância de voltar ao básico para manter a saúde mental, ressaltando que tendências passageiras podem gerar mais ansiedade. Elementos fundamentais como sono de qualidade, alimentação balanceada, atividade física e conexões sociais são essenciais. Apesar disso, barreiras sociais e econômicas podem dificultar a prática desses hábitos básicos, apontando para a necessidade de políticas públicas eficazes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Toda semana surge uma regra nova. O jejum intermitente dominou as conversas por um tempo; agora, a obsessão é bater a meta diária de proteína. Com o sono acontece a mesma coisa: virou moda dormir sob luz vermelha e empilhar uma sequência de rotinas pré-sono para executá-las uma atrás da outra, já deitado na cama! Com o corpo, idem, na forma das tais microrrotinas de exercício. Basta abrir as redes sociais para ser invadido por mais uma “trend”, que dali a um tempinho já estará fora de moda. A indústria do bem-estar funciona como uma engrenagem que não para: cada moda promete consertar o que a anterior não deu conta, e todo mundo corre atrás com a sensação permanente de estar devendo quando o assunto é bem-estar e saúde mental. O resultado é que as pessoas andam cansadas. O autocuidado se transformou em uma espécie de segundo emprego e, ironicamente, em mais uma fonte de ansiedade, justamente o oposto daquilo que prometia combater. Há algo de curioso, e até paradoxal, quando se analisa todas essas modas. Quando pesquisadores investigam o que de fato sustenta a saúde mental, esbarram sempre no que são considerados hábitos básicos: dormir bem, comer comida caseira de verdade, mexer o corpo e ter alguém com quem contar. Esse conjunto básico, embora não seja glamouroso, funciona, segundo a literatura acumulada ao longo dos anos. A maior revisão de estudos já feita sobre atividade física indica que mexer o corpo pode rivalizar com remédios no tratamento de sintomas leves a moderados de depressão e ansiedade, tema que abordei em uma coluna recente neste espaço. Trocar ultraprocessados por comida caseira rica em legumes coloridos, peixes gordurosos e cereais integrais, base do padrão mediterrâneo, está associado à redução de sintomas depressivos. O sono talvez seja o pilar mais subestimado de todos. Em um estudo que avaliou sono, exercício e dieta entre jovens adultos, foi a qualidade do sono, mais do que a quantidade de horas dormidas, que melhor previu o bem-estar. Dormir não é, portanto, prêmio de uma mente saudável, mas parte do que a constrói. Quem dorme mal dificilmente come bem ou encontra disposição para se exercitar. Ou seja, quando esse pilar cede, os outros desmoronam juntos. E a solidão, hoje sabemos, pesa sobre a saúde física e mental em grau comparável ao de fatores de risco clássicos, como o tabagismo. Por que, então, resistimos tanto ao básico? Em parte porque o simples vende mal. Comprar um suplemento proteico custa menos esforço do que cultivar um novo hábito alimentar. O que funciona em saúde mental e bem-estar exige constância, e constância dá trabalho, não rende vídeo viral. O defeito do básico é que ele funciona sem chamar a atenção. Não se trata de condenar quem mede o sono no smartwatch ou contabiliza as proteínas consumidas diariamente, mas de reposicionar as prioridades. Antes de perseguir o sofisticado, vale checar se a fundação está em pé, firme e forte. De que adianta, afinal, o colágeno se passamos o dia sentados em uma cadeira? De que adianta bater a meta de proteína se não nos relacionamos com ninguém? É preciso reconhecer um limite incômodo: nem todo mundo tem condições de dormir bem, cozinhar ou caminhar todos os dias. Bairros sem praça, ruas sem espaço para uma simples caminhada, orçamento curto e jornadas de trabalho por vezes exaustivas são barreiras reais para que o básico seja praticado. Reduzir a saúde mental a uma questão de força de vontade ignora que, antes da vontade individual, é da política pública que muitas vezes se espera o primeiro passo. Para quem tem essa margem, voltar ao começo já é um grande avanço concreto no cuidado com a saúde mental. O básico pode não seduzir, mas é dinheiro guardado no banco da saúde.