Especialista explica como a pressão estética constante e o excesso de estímulos nas redes sociais têm levado ao esgotamento e mudado a relação com os cuidados diários e a autoimagem Por que a rotina de beleza está deixando tantas mulheres cansadas — Foto: iStock | CO ASSESSORIA RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 12:39 "Beauty Burnout: Cansaço Estético Impulsiona Cuidados Naturais" A pressão estética e o bombardeio de estímulos nas redes sociais levam ao "beauty burnout", um esgotamento por perseguir a perfeição. Segundo a especialista Nívea Bordin Chacur, o cansaço com a busca incessante por uma imagem ideal faz crescer o interesse por cuidados estéticos preventivos e naturais, priorizando saúde e identidade em vez de transformações drásticas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A rotina de beleza nunca foi tão extensa e, ao mesmo tempo, tão imperceptível. Há produtos para antes de dormir, ao acordar e até para simular descanso em dias de cansaço real. Em busca de uma aparência cada vez mais "natural", construiu-se um paradoxo em que quanto mais se tenta parecer espontânea, mais elaborado se torna o processo. Entre filtros hiper-realistas, procedimentos estéticos e tendências que mudam em ritmo acelerado, cresce a sensação de que cuidar da aparência deixou de ser um gesto de bem-estar e passa a ser percebido como uma obrigação constante. Esse cansaço ganhou nome fora do Brasil: "beauty burnout". O termo passou a ser usado para descrever o desgaste provocado pela pressão estética nas redes sociais e pela ideia persistente de que sempre há algo a ser ajustado no rosto ou no corpo. Para a doutora Nívea Bordin Chacur, CEO da GoldIncision, esse esgotamento já é perceptível no consultório. Segundo ela, muitas pacientes chegam após um período de consumo intenso de referências estéticas marcadas pelo excesso e pela busca contínua de aperfeiçoamento. "Hoje vemos muitas mulheres cansadas dessa lógica de perfeição permanente. Elas começam a buscar uma relação mais leve, saudável e possível com a própria imagem", afirma. Nos últimos anos, procedimentos minimamente invasivos deixaram os consultórios e passaram a fazer parte da linguagem cotidiana das redes sociais. Bioestimuladores, preenchimentos, lasers e protocolos corporais se tornaram frequentes em conteúdos de beleza, muitas vezes ao lado de filtros e rotinas estéticas de difícil reprodução na vida real. Com o tempo, o excesso visual também passou a gerar saturação. Essa fadiga estética, segundo a especialista, vem impulsionando uma mudança de comportamento. As pacientes seguem interessadas em cuidados estéticos, mas com uma lógica diferente, mais preventiva e menos transformadora. "Existe hoje uma procura maior por qualidade de pele, manutenção saudável e resultados que preservem identidade, em vez de mudanças marcadas ou exageradas", diz. Nesse cenário, tratamentos voltados à saúde da pele e à manutenção da aparência ganham espaço dentro da estética contemporânea. Em vez de transformações visíveis, cresce o interesse por protocolos associados à prevenção, longevidade estética e naturalidade, uma transição que, segundo Nívea, reflete uma nova relação com o próprio corpo. Para ela, o "beauty burnout" não representa um afastamento da vaidade, mas uma tentativa de reorganizar expectativas depois de anos sob pressão estética constante. "O que vemos hoje é uma mudança de mentalidade. O novo luxo da estética é parecer saudável sem parecer artificial", resume.