A mercantilização da existência em bases neoliberais, a forma-empresa, não se dá apenas nos níveis da economia, da inteligência artificial e da política, também na administração de crenças religiosas. Talvez a maior ameaça à mística de um todo-poderoso esteja na IA-2028 anunciada pela Anthropic que, suplantando a inteligência humana, poderá curar doenças terríveis, senão mandar paralítico levantar-se da cadeira. Mas a modelagem teológico-mercantil do banal consumo cotidiano, grotescos que sejam os seus aspectos, é um primeiro passo corrosivo.
Pelo menos é o que se mostra na imprensa pela lancheria Cachorro Crente, ao lado da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no bairro carioca da Penha. Saudado pelos atendentes com "paz do Senhor", o cliente faz uma imersão em música gospel, em meio a hot-dogs, batatas fritas e refrigerantes. Viralizado nas redes sociais, o modelo se espalha. Pizza Pentecostal é oferecida em São Paulo, pelo Louvorzão do Império: "Em apenas três meses, o Senhor nos ensinou tudo o que precisávamos aprender", dizem os proprietários. Em Cascavel (Paraná), come-se X-Coluna de Fogo e X-Unção Dobrada. Na brasiliense Sal e Luz Hamburgueria, o carro-chefe é o João 3:16, um pão de cruz.














