Duas posições sobre a relação entre ver e crer parecem ganhar relevância diante dos assombros nas redes sociais. Numa atribuída a Nietzsche, ele desacredita em fantasmas, não por serem invisíveis, mas visíveis demais. Noutra, diz Engels que o fato de não se verem os alegados espíritos, recorrentes em sessões esotéricas nas capitais europeias no século 19, não constituía prova alguma: ver seria apenas uma exigência do empirismo radical.

Essa abordagem é suscitada pela repercussão de um vídeo postado com imagens de óvni no quintal de um sitiante, à luz do dia, no interior paranaense. Seria mais uma história de ET, dessas que os algoritmos costumam direcionar para aficionados do assunto. Mas tudo era por demais visível, assim como plausíveis a reação de medo e depoimentos do sitiante. Observadores descartaram a hipótese de montagem.

Atitude natural dos bem-informados pelos padrões habituais é a de perguntar como se pode dar atenção a uma coisa dessas em meio à gravidade das crises conexas que permeiam o país e o mundo nessa fase aguda do capitalismo global, em que o paradigma do império americano é de opressão socioeconômica e ataque ao espírito nacional. Conservador, o senso comum estabiliza a consciência, mas interpreta com lugares-comuns o que não compreende de imediato.