Aqui entre nós, o mais recente filme de Steven Spielberg, "Dia D", é bem fraquinho: uma simples mistura de teoria conspiratória, contato alienígena e mensagem de Miss Universo para um mundo melhor.

Mas, justamente por ser fraco, o filme revela com perfeição os contornos religiosos do fenômeno UFO —os fenômenos anômalos não identificados, na sigla em inglês, também conhecidos como óvnis. Falei em religião? Falei. Talvez estejamos tão carentes de sentido e tão sós que tenhamos trocado as velhas religiões por uma espécie de consolação cósmica.

É isso que me fascina no fenômeno: encontrar, nas ocorrências inexplicadas, os vestígios do sagrado e do profano que nunca nos abandonam inteiramente. Apenas mudam de traje.

Foi isso também que fascinou D. W. Pasulka, professora de estudos religiosos na Universidade da Carolina do Norte, ao escrever "American Cosmic: UFOs, Religion, Technology" (Oxford University Press) —um dos livros mais notáveis sobre a natureza da crença em objetos voadores não identificados.

O livro de Pasulka não pretende afirmar, nem negar, a existência de extraterrestres. O alvo é outro: o que leva alguém a acreditar em homenzinhos verdes passeando pela Terra?