Mais suspense do que ficção científica, longa tem cenas de ação e um tanto de comédia, mas acima de tudo uma discussão sobre dilemas morais e a importância da verdade; Bonequinho aplaude de pé Emily Blunt e Josh O’Connor em 'Dia D', de Steven Spielberg — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 17:08 Steven Spielberg Explora Conspiração Alienígena em Novo Thriller "Dia D" Steven Spielberg retorna ao tema da vida extraterrena com "Dia D", um thriller de conspiração que combina ação e dilemas morais. O filme foca na busca pela verdade de Daniel Kellner e Margaret Fairchild, desafiando a ocultação de segredos alienígenas por governos e corporações. Spielberg questiona a humanidade, abordando a importância do jornalismo e a manipulação de informações, enquanto entrega cenas emocionantes e reflexivas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO É praticamente impossível ter crescido a partir dos anos 1980 sem invejar o menino Elliott (Henry Thomas) por sua amizade com o alienígena de grandes olhos azuis de “E.T.: o extraterrestre” (1982). O filme, um dos maiores sucessos de bilheteria da História, espalhou pelo mundo o fascínio de Steven Spielberg pela vida extraterrena, também visto em “Contatos imediatos do terceiro grau” (1977) e “Guerra dos mundos” (2005). Prestes a completar 80 anos de idade, o diretor volta ao tema com “Dia D”, que estreia nos cinemas brasileiros hoje, com uma dose de otimismo e crença na Humanidade. Mas o novo longa-metragem não é exatamente o que parece. No filme, Spielberg retorna à sua inquietação: estamos sozinhos no Universo? E para ele a resposta é não. Mas “Dia D” não é uma continuação dos anteriores. Spielberg não é mais o jovem de 30 anos como quando dirigiu “Contatos”, e não estamos mais na década de 1970. Josh O’Connor é o Dr. Daniel Kellner, ex-hacker que trabalhava como especialista em cibersegurança da Wardex, uma organização que guarda os segredos sobre os FANIs (fenômenos anômalos não identificados) e as entidades não humanas que têm visitado a Terra desde 1947 — o famoso caso Roswell, em que um fazendeiro encontrou destroços de um aparato misterioso, e alienígenas teriam sido apreendidos pelo governo. Daniel Kellner foge com os arquivos, sendo perseguido com sua namorada Jane (Eve Hewson), uma ex-freira. Enquanto isso, a jornalista Margaret Fairchild (Emily Blunt) começa a viver episódios estranhos. Spielberg sempre preferiu que seus heróis fossem pessoas comuns: um arqueólogo na série Indiana Jones, um menino na guerra em “O Império do Sol” (1987), um empresário em princípio aliado dos nazistas em “A lista de Schindler” (1993), um mero capitão do Exército em “O resgate do soldado Ryan” (1998). Não é diferente aqui: Daniel e Margaret são pessoas comuns que se arriscam para revelar ao mundo a verdade que governos e companhias privadas como a Wardex vêm se esforçando para esconder. “Dia D” não é uma ficção científica, mas um thriller de conspiração em que os protagonistas, com a ajuda de Hugo Wakefield (Colman Domingo), fogem do líder da Wardex, Noah Scanlon (Colin Firth), para quem a revelação dos segredos sobre a presença de alienígenas entre nós pode causar caos num mundo à beira da Terceira Guerra Mundial. Por isso, é menos um filme sobre extraterrestres do que uma obra sobre nós. O cineasta tem uma visão mais sombria sobre os seres humanos do que tinha lá no início de sua carreira, mas continua otimista sobre a nossa capacidade de, ainda assim, fazer a coisa certa. Há cenas de ação feitas com a habilidade de sempre, um tanto de comédia, mas acima de tudo uma discussão sobre dilemas morais e a importância da verdade em âmbito global, mas também pessoal. Daniel e Margaret desconhecem coisas de seu passado e naturalmente têm medo do que podem descobrir. Spielberg defende que a verdade é sempre a saída. E que, num mundo em que as imagens podem ser manipuladas e espalhadas por celulares, sem que se saiba a origem, o jornalismo é fundamental. E o cinema, com suas imagens duradouras, também. Spielberg defende suas ideias, mas deixa perguntas para o espectador. Será que projetamos no outro — alienígenas ou não — o horror que vemos em nós mesmos? Organizações sem transparência têm o direito de decidir os rumos da Humanidade? Por que raios Emily Blunt nunca é escalada para papéis principais para ter a chance de brilhar de verdade como aqui? “Dia D” talvez não seja o que a maioria espera — um filme cheio de ação e batalhas entre espécies —, mas emociona quem está aberto às suas sutilezas e mostra a inquietação permanente de um diretor com o mundo.