Em um dos momentos mais tocantes da encíclica que o papa Leão 14 lançou sobre incia artificial, ele cita Gandalf, o mago de "O Senhor dos Anéis": "Não nos compete dominar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que nos for possível para ajudar os anos em que estamos inseridos, erradicando o mal nos campos que conhecemos, para que quem viver depois possa ter terra limpa para amanhar".

A fala do mago acontece em um momento de desespero na narrativa. A Batalha dos Campos do Pelennor acabou de acontecer. Sauron, servo do mal absoluto, conta com exércitos imensos e a constatação é de que é impossível vencê-lo em batalha aberta. A única esperança são os dois pequenos hobbits, Frodo e Sam, que Sauron não leva a sério. Só que ninguém tem notícias de Frodo, nem sabe onde ele está.

Ao evocar Tolkien (que era profundamente católico e contribuiu para a conversão de C.S. Lewis ao cristianismo), o papa faz um alerta contra o derrotismo em face de forças avassaladoras, como a inteligência artificial. Nas suas próprias palavras ele diz que não devemos "pensar que os problemas são demasiado grandes e nós demasiado pequenos; e que nossas escolhas nada alteram". Ele chama isso de "uma forma elegante de rendição, disfarçada de realismo". E conclama cada um a atuar no seu "próprio âmbito de ação".