É sobre “a sede de inovações que se apoderou das sociedades” esta encíclica. A frase escreveu-a Leão XIII em 1895 a abrir a encíclica Rerum Novarum, mas aplica-se por inteiro à Magnifica Humanitas de Leão XIV. Há 150 anos a Revolução Industrial, hoje a Inteligência Artificial (IA). Tempos e questões diferentes, uma mesma preocupação: que “temíveis conflitos” são criados e alimentados por estas inovações, que humanidade edificam? O olhar do actual Papa sobre os desafios do mundo de hoje leva-o a inovar em múltiplos aspectos, de tal forma que esta sua encíclica difere de todas as anteriores dedicadas à “questão social”.Desde logo é o próprio Leão XIV que sublinha essa necessidade de um pensamento católico em constante evolução, contrariando o preconceito ainda reinante na Igreja Católica de que tudo é imutável nela e na sua missão, porque já foi tudo dito e feito por Jesus Cristo. Pelo contrário, escreve o actual bispo de Roma, o pensamento católico tem de recorrer ao “essencial contributo da filosofia e das ciências humanas e sociais, que ajudam a compreender e a analisar mais profundamente as dinâmicas culturais, económicas e políticas”.E é por isso que afirma que a “doutrina social da Igreja surge, não como um manual de princípios e normas a aplicar, mas como um caminho de discernimento comunitário (…) deixa-se interrogar pelos sinais dos tempos; nutre-se dos contributos das ciências, das culturas e das experiências humanas”. Consequente com esta afirmação, a Magnifica Humanitas não se apresenta como a última palavra sobre a IA e as suas consequências, mas como o início de “um discernimento partilhado, capaz de penetrar nas raízes espirituais e culturais das transformações em curso”.
As “coisas novas” da primeira encíclica de Leão XIV
Este Papa não esperou que amadurecesse o debate sobre o impacte da IA. Leão XIV arrisca a sua palavra quando muitos outros responsáveis ainda nada disseram sobre as “coisas novas” do nosso tempo.








