Apresentada no dia 15 de maio, a primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas, já nasce como um dos documentos mais impactantes do magistério social católico contemporâneo. Ao escolher escrever sobre a inteligência artificial, o pontífice não apenas entra num dos debates mais decisivos do século XXI, mas também estabelece uma clara continuidade histórica com o Papa Leão XIII e sua histórica encíclica Rerum Novarum.
Se Leão XIII enfrentou os dilemas antropológicos, sociais e econômicos da Revolução Industrial, Leão XIV identifica na revolução digital e na inteligência artificial a nova “questão social” do nosso tempo. A analogia não é casual: o novo papa escolheu assinar Magnifica Humanitas justamente no aniversário de 135 anos da Rerum Novarum, numa clara tentativa de reposicionar o Ensino Social da Igreja diante das transformações tecnológicas contemporâneas.
A nova revolução
A grande percepção de Leão XIV é que a inteligência artificial não representa apenas uma inovação técnica, mas uma profunda mudança civilizatória. Assim como a máquina industrial alterou as relações de trabalho, a organização urbana e os sistemas econômicos do século XIX, a IA redefine hoje as formas de comunicação, poder, produção do conhecimento e até mesmo a própria compreensão do humano.












