Documento aborda riscos da Inteligência Artificial e retoma tradição da Igreja de influenciar debates sobre trabalho, ética e sociedade Papa Leão XIV — Foto: Alberto PIZZOLI / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/05/2026 - 10:35 Papa Leão XIV Alerta para Riscos da IA em Nova Encíclica O Papa Leão XIV lançou a encíclica "Magnifica Humanitas", abordando os riscos da Inteligência Artificial (IA) e propondo limites éticos para seu avanço. Encíclicas são documentos papais que influenciam debates morais e sociais. A encíclica destaca a necessidade de regulamentação governamental, proteção de empregos e educação crítica sobre IA. Leão XIV enfatiza a dignidade humana e a cooperação entre Igreja e tecnologia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Papa Leão XIV lançou nesta segunda-feira a encíclica “Magnifica Humanitas” (“Magnífica Humanidade”), documento em que alerta para os riscos da Inteligência Artificial (IA) e defende limites éticos para o avanço da tecnologia. Mas, afinal, o que é uma encíclica e por que esses textos têm peso histórico dentro e fora da Igreja Católica? Tradicionalmente, encíclicas são cartas abertas escritas pelo Papa e dirigidas a “todas as pessoas de boa vontade”, nas quais o Pontífice apresenta orientações morais, sociais e políticas sobre temas considerados centrais em cada época. Ao longo da história, esses documentos ajudaram a moldar debates sobre trabalho, economia, guerra e direitos humanos. No caso de “Magnifica Humanitas”, texto com cerca de 42.300 palavras em sua versão em inglês, Leão XIV volta o olhar para a IA, que descreve como uma força capaz de transformar profundamente a sociedade. O objetivo, segundo ele, é preservar a dignidade e a autonomia humanas em um cenário em que sistemas digitais podem substituir pessoas em diversas funções. O documento foi apresentado ao lado de Christopher Olah, cofundador da Anthropic, uma importante empresa de IA, em um gesto simbólico de aproximação entre o Vaticano e o setor de tecnologia. Embora ressalte que a tecnologia não deve ser vista como uma força contrária à Humanidade, o Papa faz um alerta direto: “a busca por maiores lucros não pode justificar escolhas que sacrifiquem sistematicamente empregos”. 'Só a Onipotência do amor nos salvará da guerra': Papa pede paz em missa de Pentecostes Entre as propostas apresentadas na encíclica, estão: A regulamentação governamental das empresas privadas que lideram o desenvolvimento da IA;A proteção e requalificação de trabalhadores cujos empregos estão ameaçados;A educação para ajudar estudantes a pensar criticamente sobre o uso da IA;As ações para proteger crianças de conteúdos online violentos, hipersexualizados ou falsos, frequentemente gerados por IA;As garantias de que seres humanos, e não a IA, permaneçam responsáveis por todas as decisões relacionadas ao uso de armas. Mais do que um diagnóstico técnico, a encíclica traz um alerta social. O Papa afirma que uma sociedade que concentra empregos em uma pequena parcela da população, mesmo com alto desenvolvimento tecnológico, pode levar ao “empobrecimento humano e cultural”. “Isso cria um paradoxo de progresso material e regressão antropológica que mina as bases de uma paz social justa e estável”, escreve. Ao apresentar o documento no Vaticano, Leão afirmou que suas reflexões foram influenciadas por conversas com cientistas, engenheiros e líderes políticos. Ele destacou o papel de Olah nesse diálogo e disse que a cooperação entre diferentes áreas é essencial diante dos desafios da Inteligência Artificial. A nova encíclica também dialoga diretamente com uma tradição histórica da Igreja. O texto foi assinado em 15 de maio, mesma data de “Rerum Novarum”, publicada em 1891 por Leão XIII. Considerada um marco da doutrina social da Igreja, “Rerum Novarum” tratou dos impactos da Revolução Industrial e defendeu direitos dos trabalhadores diante da exploração econômica. Agora, mais de um século depois, Leão XIV retoma esse debate em um novo contexto, marcado pela transformação digital. Assim como no documento histórico, o trabalho aparece como eixo central. Para o Papa, trabalhar não é apenas uma forma de renda, mas “uma exigência da condição humana”, ligada ao desenvolvimento e à realização pessoal. Além das questões econômicas, a encíclica aborda temas como o uso de armas autônomas, o impacto da tecnologia sobre crianças e até o papel histórico da Igreja. Em um dos trechos, Leão pede desculpas pela atuação do Vaticano em períodos de escravidão. Embora tenha base religiosa, o texto se aproxima, em vários momentos, de um documento de políticas públicas, com propostas concretas de regulação e governança da tecnologia. Dentro da tradição católica, encíclicas costumam ter efeitos duradouros e ajudam a definir não apenas o rumo de um pontificado, mas também o posicionamento da Igreja diante das grandes transformações do mundo.