Na encíclica "Magnifica Humanitas", lançada em 25 de maio, o papa Leão 14 introduz o conceito de "jejum de IA". Longe de ser um ataque à tecnologia e aos seus benefícios, a proposta surge como uma crítica profética a correntes ideológicas que propagam promessas de superação dos limites humanos pela IA. Segundo o papa, a essência da liberdade não reside em superar os limites humanos, mas em aceitá-los e aprender a conviver com eles em paz.

"Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da minha boca", respondeu Jesus quando tentado pelo diabo no deserto. O objetivo do jejum não é libertar o ser humano da necessidade do alimento, mas torná-lo livre para administrar quando e como satisfará suas necessidades.

No entanto, na era da hiperestimulação, a liberdade interior não pode ser alcançada apenas com força de vontade individual. É por isso que, embora o jejum religioso seja uma iniciativa pessoal, a proposta do "jejum de IA" foi inserida no contexto de uma aliança entre governos, empresas, escolas e famílias.

Nessa aliança, o papel da escola não é acompanhar a velocidade do mundo digital, mas oferecer aquilo que o digital, por si só, não consegue: tempo partilhado para aprender e relações de confiança. Segundo o papa, as escolas devem promover uma verdadeira higiene da atenção introduzindo ritmos que prevejam silêncio, leitura, estudo aprofundado e debate ponderado.