Aprender é se relacionar. Nas periferias, as aprendizagens correm pelos becos, vielas, rodas de samba, terreiros e hortas comunitárias. Para além do confinamento escolar, aprender é movimento, afeto e ancestralidade.
É desse chão que eu chego, mulher periférica, educadora socioambiental, filha do êxodo rural nordestino. Trago as belezas e as feridas do meu lugar e a escuta do que pulsa nas redes de vida da quebrada, uma natureza que insiste em brotar nas frestas do concreto.
Na infância, aprendi no sertão do Ceará que a terra sustenta a vida. De volta à periferia de São Paulo, buscava essa mesma vida no mundo cimentado.
A escola pública também era concretada, mas minhas professoras abriam frestas e nos conduziam a encontros com resquícios de floresta ainda vivos no território. Chegar aqui é travessia, minha voz emerge da margem, pesquiso desde o porão.
Vivemos, afinal, no mesmo navio-mundo, mas não nos mesmos lugares. Há quem esteja no convés. E há quem sobreviva no porão, onde a água chega primeiro. Na cidade, esse porão se reinscreve nas periferias.






