É bonito quando alguém transforma a própria dor em solução. Gostamos dessas histórias porque elas organizam o caos em narrativa: havia uma falta, alguém sofreu com ela e decidiu agir.
Celebramos o estudante que cria um projeto para enfrentar um problema que viveu, a pesquisadora que dedica a carreira a entender uma desigualdade que conheceu cedo, a liderança comunitária que tenta mudar o bairro onde cresceu.
Essas histórias inspiram. Mas também escondem uma pergunta incômoda: quem cuida dessas pessoas enquanto elas tentam cuidar do mundo?
Penso nisso porque essa pergunta não é abstrata para mim. Entre uma reunião de pesquisa, uma entrega da faculdade, horas de transporte e as contas do mês, já me peguei pensando quanto tempo é possível sustentar projetos que nasceram justamente da vontade de reduzir desigualdades.
Às vezes, a causa que nos move é a mesma que nos esgota. Vim do interior de Minas Gerais, sou a primeira geração da minha família na universidade e estudo com bolsa integral.









