Guiado pela professora de inglês, um grupo de crianças de seis anos sai pelo pátio de uma escola no Rio de Janeiro com uma ferramenta de inteligência artificial que reconhece espécies de plantas. O aplicativo classifica como pé de acerola uma árvore carregada de pitangas, levando os estudantes a uma curiosa conversa sobre como a IA nem sempre fornece respostas certas.

No interior de Alagoas, uma turma de adolescentes do ensino médio pouco animada para uma atividade de leitura de "Vidas Secas" motiva a professora de língua portuguesa a criar um projeto que relaciona a apreciação da obra com as redes sociais. Alunos e alunas, então, criam perfis para os principais personagens, num processo que envolve reflexões sobre por que estar no Instagram, o que postar, para quem se dirigir e quais as consequências da presença digital.

E quem diria que Miguel de Cervantes, ao escrever "Dom Quixote" em 1605, nos daria farto material para discutir temas como ausência de senso crítico, viés de confirmação e filtros de beleza na internet? Uma professora de espanhol de uma escola em São Paulo propõe aos estudantes a análise do clássico à luz de desafios contemporâneos. No caminho, promove debates sobre por que tendemos a acreditar em informações que comprovam nossas crenças pré-existentes em vez de buscar evidências e analisá-las criticamente ou quais são as consequências de consumir frequentemente conteúdos que determinam um padrão de beleza.