O avanço da inteligência artificial na educação brasileira não acontece apenas nos grandes centros de pesquisa ou nas empresas de tecnologia. Em Sergipe, a professora universitária Janaina Mello transformou robótica, holografia e IA em ferramentas para ensinar história e patrimônio cultural, inclusive para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista. A experiência dialoga diretamente com o Prêmio Jovem Cientista, que em sua 32ª edição traz o tema “Inteligência Artificial para o Bem Comum”, incentivando estudantes e pesquisadores a desenvolverem soluções inovadoras voltadas ao interesse coletivo com essa inovação. No departamento de História da Universidade Federal de Sergipe, há mais de uma década Mello desenvolve projetos que unem tecnologia e educação. Um dos primeiros foi o robô SayHist, criado para apresentar informações sobre patrimônios culturais de Sergipe e de Alagoas. O protótipo rendeu uma bolsa de produtividade em desenvolvimento tecnológico do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). É fundamental que projetos mantenham o olhar centrado nas pessoas” O SayHist se tornou a base de novas iniciativas em robótica educacional. Segundo Mello, a meta sempre foi criar um modelo adaptável, capaz de chegar a museus e espaços educativos. “A proposta é que seja um projeto que possa ser levado para outros Estados e espaços, como museus e escolas. O modelo permite aplicações diversas. Passamos a incorporar a holografia nesse robô para trabalhar o ensino da história em sala de aula”, explica a professora. Entre os desdobramentos, está o PrismaTec, projeto que busca auxiliar professores da educação básica no uso de robótica educacional, inteligência artificial e holografia no ensino de história e patrimônio cultural. O foco está especialmente na inclusão de estudantes neurodivergentes. Com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, imagens de museus, artesanato e manifestações culturais sergipanas são convertidas em projeções holográficas exibidas pelo robô. O equipamento se movimenta, emite sons, responde a interações e projeta conteúdos visuais. “É fundamental que os projetos que envolvam o uso de inteligência artificial e outras tecnologias mantenham o olhar centrado nas pessoas. Isso significa desenvolver tecnologias que sejam compreensíveis e democráticas, garantindo que a inovação esteja a serviço das pessoas e não o contrário”, pontua Mello. Promovido pelo CNPq em parceria com a Fundação Roberto Marinho, o Prêmio Jovem Cientista conta com patrocínio master da Shell e apoio de mídia da Editora Globo e do Canal Futura. As inscrições estão abertas até 14 de agosto, pelo site jovemcientista.cnpq.br, e o prêmio reconhece projetos de pesquisa de estudantes do ensino médio, ensino superior, mestrado e doutorado de todas as áreas do conhecimento.
Robô com inteligência artificial ensina história
Projeto de professora do Sergipe é exemplo de iniciativa que Prêmio Jovem Cientista quer incentivar
SayHist e PrismaTec de Janaina Mello (UFS) integram AI e holografia em ensino inclusivo de história com foco em neurodivergentes. Modelo adaptável de responsible AI sinaliza tendência: acessibilidade e inclusão educacional ganham relevância estratégica em corporate edtech strategy.















