A inteligência artificial deixou de ser promessa distante para se tornar ferramenta capaz de transformar diferentes áreas da sociedade, da mobilidade urbana à saúde. É nesse cenário que o Prêmio Jovem Cientista chega à sua 32ª edição com o tema “Inteligência Artificial para o Bem Comum”, incentivando estudantes e pesquisadores a desenvolver soluções inovadoras voltadas ao interesse coletivo. Um exemplo concreto desse esforço vem da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Há mais de dez anos o professor Alberto Ferreira de Souza lidera pesquisas em IA aplicada à mobilidade autônoma. Um dos principais projetos é o Iara, carro desenvolvido para circular sem motorista usando sistemas avançados de IA. Em 2017, o veículo percorreu mais de 70 quilômetros entre Vitória e Guarapari, no litoral sul do Estado, em uma das primeiras demonstrações de condução autônoma em vias brasileiras. A pesquisa avançou para caminhões autônomos, usados em indústrias e portos, e aplicações na aviação. “Temos vários veículos operando pelo Brasil de forma autônoma”, afirma o pesquisador, professor emérito do Departamento de Informática da Ufes. Ferreira acrescenta que, em parceria com a Embraer, o grupo também realizou o primeiro taxiamento autônomo de um avião comercial a jato de passageiros no mundo. As pesquisas ainda incluem projetos de eVTOLs - aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, chamadas de “carros voadores” -, além de robôs para inspeção de áreas perigosas e humanoides treinados para executar tarefas simples do cotidiano, como preparar um café. Ferreira também pesquisa aplicações da inteligência artificial voltadas à longevidade humana. O estudo busca compreender como a IA pode ajudar na leitura e na análise de códigos genéticos relacionados ao envelhecimento. “Muitos pesquisadores trabalham com a hipótese de que o envelhecimento faz parte da programação do nosso DNA. Se conseguirmos decifrar os códigos que o compõem e, eventualmente, modificá-los, poderemos aumentar a longevidade humana”, conclui. Promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com a Fundação Roberto Marinho, o Prêmio Jovem Cientista conta com patrocínio master da Shell e apoio de mídia da Editora Globo e do Canal Futura. Com inscrições abertas até 14 de agosto, pelo site jovemcientista.cnpq.br, a iniciativa reconhece projetos de pesquisa de estudantes do ensino médio, ensino superior, mestrado e doutorado de todas as áreas do conhecimento. Os vencedores recebem laptops, bolsas de pesquisa do CNPq e prêmios em dinheiro que variam de R$ 5 mil a R$ 40 mil.