Aplicação da tecnologia em áreas como saúde, educação e sustentabilidade é tema do Prêmio Jovem Cientista deste ano Com ao menos 2,8 mil bolsas e projetos vigentes relacionados ao termo “inteligência artificial”, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ampliou o peso da IA na pesquisa científica brasileira. É o que mostra a Plataforma Integrada Carlos Chagas, usada pelo conselho para unir informações de pesquisas. Segundo dados atualizados em abril, os investimentos estão concentrados em ciência da computação (445 iniciativas), geociências (161), engenharia elétrica (159) e medicina (156). Quase 1,3 mil bolsas e projetos são desenvolvidos no Sudeste, seguido de Nordeste (609), Sul (463), Centro-Oeste (246) e Norte (167). São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro são os Estados com mais bolsistas. Atualmente, o CNPq também financia 13 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INTCs) com pesquisas voltadas à IA aplicada a temas como desenvolvimento de vacinas, identificação e tratamento de doenças, soluções para agropecuária e mudanças climáticas. O programa dos INCTs é o principal eixo de financiamento científico do órgão e reúne 243 projetos vigentes, com investimento recorde de R$ 1,63 bilhão no edital mais recente, lançado em 2024, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, do Ministério da Saúde, da Capes e de fundações estaduais de amparo à pesquisa. “Financiamos projetos e bolsas em todas as áreas do conhecimento. A IA pode ser considerada transversal a essa diversidade, o que ajuda a explicar o crescimento do apoio”, afirma Lisandra Santos, coordenadora-geral de Cooperação Nacional em Ciência, Tecnologia e Inovação do CNPq. “A expectativa é que novas iniciativas surjam com recursos e a execução do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, coordenado pelo Ministério da Ciência.” O avanço desses projetos ajuda a explicar a escolha do tema da 32ª edição do Prêmio Jovem Cientista, que neste ano aposta em “Inteligência Artificial para o Bem Comum”. A proposta da premiação é incentivar estudantes e pesquisadores a aplicar a IA em soluções voltadas ao interesse coletivo, em áreas como saúde, educação, sustentabilidade e políticas públicas. “Estamos numa fase de expansão e desenvolvimento de dispositivos de inteligência artificial em todo o planeta”, afirma João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho. “Mas qual é o lugar do Brasil nisso? Como vamos nos organizar para entrar nessa dinâmica de uma maneira que seja legítima, adequada e viável? É o que queremos descobrir nesta edição do prêmio”, explica. Promovido pelo CNPq em parceria com a Fundação Roberto Marinho, o Prêmio Jovem Cientista conta com patrocínio master da Shell e apoio de mídia da Editora Globo e do Canal Futura. Com inscrições abertas até 14 de agosto, pelo site jovemcientista.cnpq.br, a iniciativa reconhece projetos de pesquisa de estudantes do ensino médio, ensino superior, mestrado e doutorado de todas as áreas do conhecimento.