O multiartista pernambucano Armando Lôbo, conhecido por trabalhos experimentais e interdisciplinares, escreveu Anastácia, uma ópera inspirada na obra de Fiódor Dostoiévski. O drama foi apresentado pela primeira vez no início deste ano no Teatro Santa Isabel, no Recife. Agora, o compositor lança a peça em formato de fotonovela em uma revista impressa, como ocorria nos anos 1970.

O leitor pode ver nos balões de diálogo a “encenação” da ópera em uma sequência de fotografias, ou “assistir” ao espetáculo por meio de imagens na revista enquanto ouve o áudio da ópera (gravado na apresentação no teatro), com acesso via QR Code.

A fotonovela — ou foto-ópera — foi registrada em um antigo presídio no centro do Recife que hoje abriga a Casa da Cultura. No papel de Anastácia está a atriz Anna Carolina Nogueira.

A história, de 51 minutos, se desenvolve em uma colônia penal feminina. A presidiária Anastácia mata a facadas outra detenta em uma desavença por uma bíblia, um pastor é chamado e a trama se desenrola com a presença inusitada de papangus, personagens do Carnaval pernambucano. Enquanto isso, a gestão do estabelecimento prisional assiste com certa indiferença ao momento de descarga emocional.