Em julho de 1994, uma mulher chamada Lorena Casales pegou um pedaço de vidro e cortou a garganta de uma desconhecida no meio de uma quermesse na zona norte de São Paulo. Ela confessou o ato, mas guardou o motivo até a morte. A vítima acabou enterrada sem nome. Três décadas depois, esse mistério se transforma no estopim de "O Caso Lorena", espetáculo em cartaz no Sesc Ipiranga que marca a estreia de Carolina Manica na direção e de Julia Ianina na dramaturgia.
A peça usa o formato do fake true crime para subverter as expectativas do público. Em vez de focar em descobrir quem é o assassino, a história se concentra em decifrar a identidade da vítima e a razão do crime. Esse enigma consome Paula, uma mulher casada que desenvolve uma fixação pelo caso, mergulhando em pesquisas e arquivos antigos até perder as fronteiras da sua própria identidade.
A encenação de Carolina Manica aposta no minimalismo para construir esse suspense psicológico, escalando apenas três atores que se desdobram em cena. A própria dramaturga, Julia Ianina, interpreta Paula com uma contenção verbal que traduz o esgotamento da personagem. Camila Raffanti vive Lorena e a internauta Joana, sugerindo que as duas figuras funcionam como projeções da mente da protagonista. Já Rodrigo Bolzan assume todos os papéis masculinos da trama (o marido, o psiquiatra e o policial), representando as diferentes faces de uma força que tenta catalogar o comportamento humano.








