Quando um ator interrompe "Macbeth" em um de seus momentos mais significativos — após um membro da plateia colocar os pés no palco — o teatro deixa a Escócia medieval e assume a função de documentário do Brasil de hoje. A cena de abertura de "Sete Minutos" é o desvendamento do pacto silencioso que ajuda a sustentar a arte dramática.

Ao deslocar a ação do palco para o camarim após tosses, barulhos embalagens de comida e celulares, a peça transforma os bastidores em um tribunal, onde o que é julgado não é o espetáculo, mas nossa constante incapacidade de ouvir. O riso provocado serve como um espelho desconfortável.

O espectador que exige entretenimento, a mulher que justifica o atraso exemplificam hábitos reais das plateias contemporâneas. A produção faz o público se ver nela, realizando uma autoanálise sobre maneiras e civilidade. Antonio Fagundes assume exclusivamente a direção na produção de 2026, entregando o papel principal, que já foi dele, a Norival Rizzo.

A distância calibra o timing da comédia e deixa o argumento central se desenrolar. O elenco de apoio, com Walter Breda, Fábio Espósito, Ana Andreatta, Conrado Sardinha e Natália Beukers, dá suporte a essa transição, que coincide com o agravamento da dispersão humana.