Como é bom viver alienado pela Copa do Mundo. Desde o dia 11 de junho vivo no torpor anestésico que busco há bastante tempo.
Passivamente, estatelado em meu sofá, não assisto mais ao noticiário. Enquanto me preocupo com a eliminação da Bósnia e Herzegovina, não sei nada sobre questões que até pouco tempo afligiam a humanidade.
Não há guerra da Ucrânia, crime do Vorcaro, escândalo do Banco Master ou eleição polarizada que me tire do marasmo. Não quero saber mais qual banheiro as pessoas trans devem frequentar. Groenlândia, hein? Não foi para a Copa, desconheço. Não tenho mais opinião inteligente sobre o aborto. A Copa é o território ideal da alienação. Nada mais me interessa.
Já percebeu como o mundo do futebol parece um planeta invertido, propício a escapadelas mentais? Nele, as potências mundiais são inexpressivas. China nem se classificou e os Estados Unidos são um modesto time, sobre o qual Trump é incapaz de se gabar. A Rússia, por sua vez, nunca foi lá grande coisa no futebol.
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