Não sei se a Copa do Mundo impõe a cada quatro anos uma "relação abusiva em que caímos como patinhos", como disse o colega Gustavo Alonso, mas eu ando a consultar a programação televisiva a cada vez que meu pobre espírito pede outro álibi ruim para justificar mais uma mancada com o cascalho –ou com o funcional, ou com a ioga– do dia.

Invariavelmente ganham a Costa do Marfim, a Coreia, o Mbappé e o Vozinha, mas não só: levam ainda minha audiência e meu imobilismo o Arnaldo Ribeiro, o Tironi, o Barrinha e seus colegas mais sêniores.

Os brilhantes jornalistas citados acima estrelam o "Posse de Bola", programa de debates de futebol do UOL, uma das tantas mesas-redondas de formato clássico que agora pululam na internet: sem imagens dos jogos, apenas uma hora ou mais de discussões, especulações, lembranças de Copas pregressas e uma outra notícia mais quente trazida pelos enviados especiais que cobrem in loco o escrete.

Como algo tão velho quanto andar pra frente, que tem pelo menos umas seis décadas de existência na TV brasileira, se considerado a "Grande Resenha Facit" como o programa pioneiro, consegue ser tão bem-sucedido nestes tempos de economia da atenção?

(Não pedi os números ao UOL, mas dou de barato de que o "Posse" está a esmagar por entrar agora em frequência diária e, nos dias em que a seleção joga, duas vezes ao dia, a segunda sessão logo após o prélio.)