A Copa do Mundo começou com a cara do nosso tempo. Restrições por credo, raça e ideologia, a ganância sem disfarce —e o estrondo das bombas, em guerras que não encontram cessar-fogo, ecoando junto aos rojões e aos gritos de alegria e de dor das torcidas apaixonadas.

Queremos ser campeões, queremos celebrar o futebol e as vitórias, queremos uma festa mais bonita a cada avo da matemática criada pela Fifa para acomodar 48 países. Mas, parafraseando o poeta Carlos Drummond de Andrade, este vasto mundo não parece encontrar, no nosso coração Raimundo, nem a rima, nem a solução.

Em um cenário de mudanças aceleradas, polarização crescente e erosão dos mecanismos tradicionais de cooperação, pensar o mundo e construir saídas para a vastidão de seus problemas tornou-se uma questão em si. O que fazer quando o conhecimento acumulado já não dá conta de responder a esta era de contradições, nem de transformar pensamento em ação?

Nascidas no início do século passado, organizações dedicadas à produção de conhecimento para orientar políticas públicas —mais tarde conhecidas como think tanks—partiram da premissa simples: quanto melhores as evidências, melhores as decisões. Acreditava-se que pesquisa, análise e informação de qualidade seriam capazes de abrir caminhos e aproximar sociedades de soluções mais racionais para seus desafios.