Na quarta-feira (1), a PGR, instada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a se manifestar sobre a apreensão, entendeu que a prisão domiciliar deve ser prorrogada A defesa de Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (2) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a apreensão da arma em nome do ex-presidente durante uma blitz não configura “falta grave” e que ele deve seguir em prisão domiciliar. Moraes havia determinado que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a defesa se manifestassem a respeito da conclusão do inquérito sobre a apreensão do armamento. Na quarta (1), a PGR entendeu que a domiciliar deve ser prorrogada. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não houve “falta disciplinar” no episódio envolvendo a apreensão da arma. Ele considerou, no entanto, que a condição de Bolsonaro é incompatível com a posse de armamento. Assim, o PGR se manifestou pela manutenção da apreensão do objeto. “Conforme consignado na conclusão das investigações, restou reconhecido que o peticionário possuía registro válido da arma de fogo, inexistindo restrições conhecidas que impedissem sua permanência regularmente armazenada na residência”, disse a defesa. Ainda segundo os advogados, não se deve “imputar ao sentenciado falta disciplinar apta a repercutir negativamente sobre o regime em que atualmente cumpre pena”. A defesa de Bolsonaro disse que a retirada do armamento da residência de Bolsonaro ocorreu por “iniciativa exclusiva do servidor Estácio Leite da Silva Filho”, segurança do ex-presidente. A remoção aconteceu depois de Bolsonaro averiguar que o armamento não estava funcionando e pedir a ajuda de Estácio. A defesa de Bolsonaro não discordou da conclusão de Gonet. “O peticionário reitera não possuir qualquer interesse na restituição do armamento apreendido, circunstância já anteriormente informada nos autos”, disseram os advogados a Moraes nesta quinta. A versão é diferente da apresentada por Bolsonaro em depoimento prestado à Polícia Civil do Distrito Federal. Na oitiva, realizada em 23 de junho, o ex-presidente disse que não podia ficar desarmado porque tem "três mulheres em casa". Com as manifestações da PGR e de Bolsonaro, Moraes pode, a partir de agora, decidir a qualquer momento se mantém ou não a domiciliar humanitária do ex-presidente. O benefício foi concedido em março por 90 dias, prazo que acabou na semana passada. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Ele começou a cumprir pena em instalações da PF e depois foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, local que fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda e é conhecido como “Papudinha”. Em março, teve o benefício da domiciliar humanitária conferido para que se recuperasse de um quadro de broncopneumonia. O ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília — Foto: REUTERS/Adriano Machado