A inadimplência média das operações de crédito subiu de 4,6% em abril para 4,7% em maio. É a maior taxa da série histórica, iniciada em março de 2011. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (1º). No mesmo período, a inadimplência das famílias subiu de 5,5% para 5,6%, também recorde histórico. A inadimplência entre empresas subiu para 3,24% em maio, vindo de 3,1% em abril. É o maior percentual desde novembro de 2017, quando foi de 3,27%. No crédito com recursos livres, a inadimplência subiu de 6,1% para 6,2%. Nos recursos direcionados, a taxa subiu de 2,7% para 2,8% entre abril e maio. Taxa de juros A taxa de juros média anual cobrada pelo sistema financeiro nas operações de crédito caiu 0,1 ponto percentual, para 33,4% ao ano em maio, em relação a abril. Em 12 meses, houve avanço de 1,7 ponto percentual. A taxa cobrada das pessoas jurídicas, por sua vez, recuou 0,2 ponto, para 21,6% ao ano. Para as pessoas físicas, a taxa manteve-se em 38,9% ao ano. Nos recursos livres, a taxa média subiu de 49,4% para 49,5% de abril para maio. No caso dos recursos direcionados, houve recuo de 12,5% para 12,2% entre os dois meses. Já o spread, que mede a diferença entre as taxas que os bancos cobram nos empréstimos e o custo de captação desses recursos, caiu de 22,2 pontos em abril para 22,1 pontos percentuais em maio. Nas operações de crédito com pessoas físicas, o spread ficou em 28,2 pontos percentuais, abaixo dos 28,4 pontos percentuais de abril. No crédito às empresas, ficou em 8,9 pontos em maio, mesmo patamar do mês anterior. A taxa de juros do cartão de crédito rotativo, por sua vez, variou de 432,0% ao ano em abril para 439,9% em maio. O rotativo é a linha de crédito pré-aprovada no cartão e inclui também saques feitos na função crédito do meio de pagamento. No caso de inadimplência do cliente, o banco deverá parcelar o saldo devedor ou oferecer outra forma para quitar a dívida em condições mais vantajosas dentro de 30 dias. Além disso, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), os juros de novas operações no rotativo e no parcelado realizadas a partir de 3 de janeiro de 2024 não poderão superar 100% do valor original da dívida. Já a taxa do parcelado do cartão variou de 188,1% para 189,6%. A taxa de juros total do cartão de crédito variou de 94,2% para 96,6% em maio. No cheque especial, a taxa média de juros cobrada foi de 138,3%, vinda de 140,9% em abril. Estoque de crédito O saldo das operações de crédito do sistema financeiro cresceu 0,6% em maio, para R$ 7,3 trilhões, conforme divulgado nesta quarta-feira pelo BC. Em 12 meses, houve alta de 9,5%. O saldo total do crédito livre subiu 0,3% em maio, chegando a R$ 4,126 trilhões, com crescimento de 6,9% em 12 meses. Já o crédito direcionado avançou 0,9%, para R$ 3,173 trilhões, uma alta de 13,1% em 12 meses. O saldo total de crédito para as famílias aumentou 0,5% no mês, chegando a R$ 4,595 trilhões e uma elevação de 11,2% em 12 meses. Para as empresas, houve alta de 0,7% no mês e 6,8% em 12 meses para R$ 2,705 trilhões. As projeções mais recentes do BC para o crescimento nominal do estoque de crédito em 2025 são: 8,5% para o total; 8,3% para o livre; 8,8% para o direcionado; 9,3% para pessoas físicas; e 7,3% para pessoas jurídicas. Concessões O volume de novos empréstimos e financiamentos subiu 0,7% em maio, na série dessazonalizada, que retira peculiaridades de um determinado período, como número de dias úteis a mais ou a menos. A comparação é com o mês anterior. O volume passou para R$ 722 bilhões. Para as pessoas físicas, houve alta de 0,4%, na mesma base de comparação, para R$ 390 bilhões, enquanto para as pessoas jurídicas foi registrada queda de 1%, para R$ 330 bilhões. No crédito livre total, as concessões com ajuste sazonal avançaram 0,4% para R$ 644 bilhões em maio. No crédito direcionado, subiram 4,6%, para R$ 77 bilhões. As concessões totais, sem a dessazonalização, subiram 0,2% no mês e somaram R$ 694 bilhões. Para clientes corporativos os novos empréstimos subiram 2,1% contra o mês anterior, totalizando R$ 321 bilhões. Para as famílias, o sistema financeiro concedeu R$ 374 bilhões em novos empréstimos e financiamentos, queda de 1,3% em relação a abril. As concessões com recursos livres, em que as taxas são pactuadas livremente entre bancos e clientes, recuaram 1,1%, para R$ 621 bilhões. Já as operações com recursos direcionados, que são regulamentadas pelo governo ou vinculadas a recursos orçamentários, avançaram 13,3%, para R$ 73 bilhões.
Inadimplência nas operações de crédito sobe a 4,7% em maio e bate recorde histórico
Taxa entre pessoas físicas também alcança máxima histórica, enquanto entre pessoas jurídicas é a mais alta desde novembro de 2017, segundo dados do Banco Central













