Juros estratosféricos são o produto da irresponsabilidade fiscal 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sede do Banco Central, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo/11-12-2024 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/06/2026 - 20:58 Irresponsabilidade Fiscal Eleva Juros no Brasil, Afirma Artigo O artigo discute a relação entre a irresponsabilidade fiscal e os altos juros no Brasil, destacando que o Banco Central é apenas o mensageiro das condições fiscais do país. Embora o BC seja muitas vezes responsabilizado, a verdadeira culpa recai sobre os políticos que aumentam gastos sem recursos, pressionando as taxas de juros. A dívida pública, equivalente a cerca de 80% do PIB, é um fator crucial na determinação dos juros, afetando toda a economia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Brasil anda sobressaltado com a descoberta de uma dessas verdades inconvenientes da economia: os juros estratosféricos são o produto da irresponsabilidade fiscal e o Banco Central (BC) é apenas o mensageiro. É ótimo para a estabilidade das instituições que haja esse “intermediário”, pois fica parecendo que é ele o culpado e que os políticos gastadores são inocentes. Que político gostaria de admitir que ao fazer emendas para trazer dinheiro para suas comunidades, ou ao criar programas sociais com dinheiro que não existe, está fazendo subir os juros? Claro que o mensageiro precisa ser claro nas suas mensagens, o que nem sempre acontece. O presidente Gabriel Galípolo afirmou que no seu último comunicado o BC “explicou demais”. Curiosa coincidência: nesta semana que passou, deixou este mundo, aos 100 anos de idade, Alan Greenspan, o lendário presidente do Fed (banco central dos EUA) que, a propósito desse assunto de explicações deixou uma pérola (tradução minha): “se você me entendeu claramente é porque eu não me expliquei direito”. Pois bem, eis a tese: não é o BC quem faz o juro, como o produto de sua vontade, é preciso honrar os “fundamentos”. O BC apenas precisa saber ler os “fundamentos” para retratá-los fielmente, ou ao menos para não os desafiar. Nos últimos tempos tem-se assentado a ideia de que o “fundamento” básico para os juros é a questão fiscal, uma ideia meio óbvia: quanto piores as contas públicas, maiores os juros. A explicação é simples: o governo é o maior de todos os endividados. Deve cerca de 80% do PIB, algo como R$ 10 trilhões, ou US$ 2,5 trilhões. Como somos cerca de 213 milhões de brasileiros, cada um de nós deve US$ 10 mil (R$ 50 mil) só por respirar. E, se nada for feito, a demografia vai piorar, bem como as finanças públicas, de modo que a cegonha vai entregar a próxima geração já direto na Serasa. O ritmo desse progressivo endividamento do governo determina os termos de troca entre o presente e o futuro. O que se passa no mundo do crédito quando aparece um mutuário para “rolar” um papagaio de R$ 10 trilhões? Nesse contexto, a taxa de juros para a dívida do governo domina a formação de todas as outras taxas de todos os outros prazos e tomadores. Essa lógica se sobrepõe às conexões entre os juros e a inflação. A inflação é uma doença da moeda, mas não é uma doença simples. Não obstante, é fácil ver que a doença pode se tornar crítica se a irresponsabilidade fiscal se tornar uma explosão de papel pintado ou de endividamento.