Senival Pereira de Moura é apontado como uma das figuras centrais de um possível esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vereador Senival Moura é líder do PT na Câmara Municipal de SP — Foto: André Bueno / Rede Câmara SP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/06/2026 - 18:55 Vereador Senival Moura deixa PT para focar em defesa após prisão e acusações de ligação com PCC O vereador Senival Moura, preso por suposto envolvimento com o PCC, deixou o PT para focar em sua defesa. Investigado por liderar um esquema de lavagem de dinheiro através da Transunião Transportes, Moura é acusado de operacionalizar recursos para o PCC. Documentos apreendidos e mensagens reforçam o vínculo com a facção. O PT acompanha o caso e acionou sua Comissão de Ética. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O vereador Senival Moura, preso na última quinta-feira suspeito de ter envolvimento com o Primeiro Comando Capital (PCC), deixou o PT. O comunicado sobre o pedido de desfiliação foi divulgado pelo partido neste sábado. "Informamos que o vereador Senival Moura encaminhou, neste sábado, à direção do Diretório Municipal do PT São Paulo, o pedido de afastamento de sua filiação ao Partido dos Trabalhadores, com a justificativa de se dedicar à sua defesa e de não vincular os últimos acontecimentos ao partido", informou o PT de São Paulo, em nota. Entenda o caso As investigações da Polícia Civil de São Paulo que resultaram na prisão do vereador Senival Moura apontam o parlamentar como o líder de um esquema de lavagem de dinheiro operado pela empresa Transunião Transportes a serviço do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a investigação, Moura era responsável pela operacionalização de recursos para integrantes da facção paulista. A análise de mensagens de WhatsApp do celular de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A., assassinado em março de 2020, mostra a dinâmica de repasses. Além de presidente da Transunião, Jorge era uma dos acionistas e fundadores da empresa. Na prática, entretanto, era subordinado de Moura, sem um cargo formal. O controle real da empresa era exercido por uma cúpula informal liderada pelo vereador. De acordo com a investigação, Jorge era o destinatário de ordens diretas de Leonel Moreira Martins, braço direito do vereador, dadas sempre com o aval do parlamentar, a quem chamavam de “véio” e “presidente”. Em mensagem de texto de 6 de agosto de 2019, Martins é mais explícito. Determina que Adauto Soares Jorge deposite R$ 53.500 e afirma na sequência: “Já falei com o vereador”. As investigações mostram que, a pedido de Moura, Jorge operacionalizava um acerto semanal de R$ 70 mil destinado a indivíduos vinculados ao crime organizado. Um dos beneficiários dos repasses, de acordo com a Polícia Civil, era Anderson de Cássia Pereira, conhecido pelo vulgo “Perigo", identificado por órgãos de inteligência como liderança do PCC no sistema penitenciário. Outro elo entre o vereador e o PCC é uma carta manuscrita, o chamado “salve", encontrada pela investigação durante as buscas na residência de Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão", apontado como o executor do homicídio de Adauto Soares Jorge. Em 2022, ele chegou a ser preso pelo caso, mas foi solto, e nesta quinta-feira foi detido novamente. O manuscrito aponta um rombo de R$ 15 milhões na chamada "garagem" da Transunião Transportes, dos quais apenas R$ 2 milhões teriam chegado aos acionistas. A carta ajudou a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo a fecharem o cerco sobre o vereador. O "salve" apreendido sugere que Jorge admitiu ter desviado R$ 15 milhões da empresa por ordem de Moura e Martins. A execução do então presidente da Transunião teria sido uma reafirmação de controle do PCC, motivada pela suspeita de que ele estaria desviando valores para o vereador sem dar o devido retorno à facção. A carta diz: "Em dezembro, entrou 17 milhões para garagem para ser distribuído nas remissões. Nós constatamos que esse dinheiro não foi dividido nas remissões, eles só jogaram 2 milhões. Eles não deram respaldo dos 15 milhões também". Segundo a polícia, o conteúdo do documento demonstra tanto a ligação de Cachorrão com o PCC quanto a "provável motivação" do homicídio do então presidente da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A. A análise de planilhas obtidas pela investigação identificou que o vereador também seria o beneficiário real de, ao menos, 13 ônibus, enquanto a titularidade formal era distribuída entre laranjas ou empresas interpostas. Familiares de Moura, como sua esposa e filhos, figuravam formalmente como proprietários ou subscritores de capital, ocultando o controle material do vereador. A Polícia Civil diz que Moura tem conexão com operadores financeiros da cúpula do PCC. A investigação vincula a estrutura comandada por Moura a Everton de Souza, o "Player", identificado na Operação Vérnix como o operador da família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC. Em nota, a defesa do vereador afirmou que recebeu "com profunda indignação a decretação de sua prisão temporária" e que ele não exerce "qualquer função de gestão, direção ou ingerência na empresa há mais de seis anos". O Diretório Municipal do PT de São Paulo afirmou que acompanhará o desenrolar das investigações e que determinou o encaminhamento do caso à Comissão de Ética do partido.
Vereador preso em operação com o PCC deixa o PT em São Paulo
Senival Pereira de Moura é apontado como uma das figuras centrais de um possível esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa















