MP-SP afirma ter provas de que a Transunião foi sistematicamente usada para facção para fins ilícitos; Senival Moura, segundo a apuração, faria parte do quadro da empresa Vereador Senival Moura (PT), de São Paulo — Foto: André Bueno/Rede Câmara SP A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) cumpriram mandados de prisão, busca e apreensão hoje contra suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro de uma facção criminosa. Entre as pessoas presas está o vereador de São Paulo Senival Moura (PT). Segundo comunicado da Secretaria da Segurança Pública do Estado, a Operação Última Parada cumpre mandados na capital paulista, em cidades da Grande São Paulo e em Extrema (MG). Uma empresa de ônibus, a Transunião, era usada para lavar o dinheiro do PCC, de acordo com a apuração. As investigações contra o grupo começaram após o assassinato do então presidente da empresa, Adauto Soares Jorge, em 2020. O MP-SP afirma ter provas de que a concessionária foi sistematicamente usada pelo PCC para fins ilícitos. Apenas em 2025, a Ministério Público afirma que a empresa recebeu ao menos R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano. "Houve salto em seu capital social de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra superior a R$ 50 milhões sem que a origem desses novos recursos ficasse clara", acrescenta o comunicado do Ministério Público. A Justiça, ainda de acordo com o MP-SP, decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados e à companhia, 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. A Justiça também determinou o afastamento dos diretores da Transunião e comunicou a Prefeitura de São Paulo para adotar providências administrativas, regulatórias e contratuais cabíveis em relação à empresa. Em 2024, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-SP, também investigou o envolvimento de outras duas empresas de ônibus, que prestam serviço na capital, com integrantes do PCC. Senival Moura, o vereador preso nesta manhã, faria parte do quadro da Transunião. Os demais pedidos de prisão temporária são contra membros da direção da empresa e de pessoas apontadas como integrantes do PCC. A assessoria de Senival foi procurada, mas ainda não se manifestou. Senival está em seu sexto mandato e costuma destacar sua atuação parlamentar voltada a temas sobre mobilidade urbana e moradia. Atualmente ele é primeiro secretário da Mesa Diretora da Câmara. Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou aguardar notificação judicial para tomar as providências necessárias. A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e da SPTrans informam que a empresa investigada segue prestando serviço à população.