Investigações apontam que Transunião, que opera ônibus na Zona Leste de São Paulo, faria parte de esquema de lavagem de dinheiro para o PCC 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vereador Senival Moura é líder do PT na Câmara Municipal de SP — Foto: André Bueno / Rede Câmara SP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 09:33 Vereador Senival Moura é preso em operação contra lavagem de dinheiro ligada ao PCC A Polícia Civil e o MP-SP realizaram uma operação que prendeu o vereador Senival Moura (PT) por suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro para o PCC, usando a empresa Transunião, operadora de ônibus na Zona Leste de São Paulo. A operação também prendeu Jair Ramos de Freitas e Devanil de Souza Nascimento, enquanto Leonel Moreira Martins e Lourival de França Monario estão foragidos. As investigações revelam a influência do vereador na Transunião e o uso da empresa para desvio de recursos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A operação deflagrada nesta quinta-feira (25) pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), na qual foi preso o vereador da capital Senival Moura (PT), também tem mandados de prisão contra outras quatro pessoas. Até o momento, além do político, foram presos Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão” e Devanil de Souza Nascimento, conhecido como “Sapo”. Também são alvos de mandados de prisão Leonel Moreira Martins e Lourival de França Monario, mas eles ainda não foram presos. Segundo as investigações, Senival participava de um suposto esquema de lavagem de dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvendo a Transunião Transportes, empresa que tem contrato com a Prefeitura de São Paulo para operar ônibus na Zona Leste da cidade. A prefeitura informou, em nota, "que a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população" e que "aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias a partir de agora". As apurações do MP e da Polícia Civil apontam que a Transunião era usada por pessoas com “vínculos diretos ou indiretos com o PCC” que exerciam “ingerência sobre a atividade econômica da empresa, controlando a administração da frota operacional, a circulação de recursos financeiros e a redistribuição de receitas”. A investigação teve início após a morte de Adauto Soares Jorge, em março de 2020. Ele foi morto a tiros no estacionamento de uma padaria em Lajeado, na Zona Leste de São Paulo. Com a apreensão de celulares e pen-drives, foi possível verificar como funcionava a gestão financeira da empresa, e suas relações com Senival Moura e outras pessoas. Segundo a Polícia Civil, Adauto foi morto após desentendimentos internos sobre a condução financeira da empresa, e suspeitas de desvios de recursos que beneficiariam o grupo de Senival Moura. A morte dele, ainda de acordo com as investigações, possibilitou uma mudança de controle dos fluxos econômicos da Transunião. Segundo o inquérito, a empresa tinha uma estrutura de comando informal, associada a pessoas com possível vínculo com o PCC, e sua atividade econômica vinculada ao transporte público coletivo da capital também servia como forma de lavar dinheiro para a facção criminosa. Senival Moura O vereador, que ocupa o cargo de primeiro-secretário da Câmara Municipal de São Paulo e que tem seu reduto na Zona Leste — especialmente na região de Guaianazes — está em seu sexto mandato. Segundo as investigações, é ele quem detinha o controle fático da Transunião, “com ingerência direta sobre a gestão e a alocação de recursos”, ainda que não fosse parte do quadro societário. Ele seria beneficiário de recursos oriundos da concessionária de ônibus, segundo as investigações. Ele foi preso na manhã desta quinta. O GLOBO procurou a assessoria do político e aguarda posicionamento. De acordo com as investigações, ele tem um imóvel de alto padrão em Extrema (MG), que também foi alvo de busca e apreensão no âmbito da operação de hoje, Leonel Moreira Martins Um dos alvos é Leonel Moreira Martins, apontado como “operador” do esquema e que fazia o intermédio dos repasses entre a Transunião e Senival Moura. Era ele quem pedia, com frequência, que Adauto liberasse transferências de dinheiro — que depois, descobriu a polícia, eram repassadas para Senival. Em mensagens obtidas pela investigação, é possível ver Leonel pedindo a Adauto “não se esquece dos 20, já conversamos sobre isso com o veio” e “5 mil nesta conta na quarta-feira, já conversei com o veio”. Veio, segundo as apurações, era um dos termos pelo qual Senival era chamado por Leonel e Adauto. Em agosto de 2019, por exemplo, Leonel chega a mandar que Adauto deposite R$ 53 mil e diz que já falou “com o vereador”. Essas e outras conversas apontam, segundo a Polícia Civil, que apesar de não fazer parte do quadro societário da Transunião, Senival tinha ingerência sobre a gestão financeira da empresa. Jair Ramos de Freitas Conhecido como “Cachorrão”, é apontado como o responsável por assassinar Adauto Soares Jorge. Ele já chegou a ser preso em 2022 pelo crime, mas depois foi solto. Quando Adauto foi morto, sua casa foi alvo de busca e apreensão, e nesse dia a polícia localizou um celular que havia sido jogado dentro do vaso sanitário. Depois de extrair as conversas desse aparelho, foi identificado que ele tinha relação com Lourival França Monário, atual presidente da Transunião, e que recebeu R$ 9 milhões da empresa. Jair era um dos sócios da Universo Bus Comércio e Serviços – uma empresa que já havia sido apontada, em uma operação da Polícia Federal, como tendo ligações com supostos integrantes do PCC. Lourival França Monário Atual presidente da Transunião. Segundo as investigações, ele possuía automóveis de luxo da Porsche, Jaguar e Land Rover, que seriam incompatíveis com os valores declarados legalmente por eles e com seu endereço residencial, na periferia da Zona Leste paulistana. Durante a Operação Vérnix, realizada em maio e no âmbito da qual foi presa a advogada e influenciadora Deolane Bezerra por suspeitas de ligação com o PCC, foi descoberta a relação de Lourival com Everton de Souza, conhecido como “player”. Everton seria o intermediário das operações de Deolane e a cúpula do PCC. Nos documentos analisados no âmbito daquela operação, constatou-se que a Transunião, sob a gestão de Lourival, também fazia parte do esquema de lavagem de dinheiro do PCC. Devanil Sousa Nascimento Conhecido como “Sapo”, foi apontado pela Polícia Civil como “pessoa de confiança” de Senival. Ele era funcionário da Transunião antes da morte de Adauto, e ganhava cerca de R$ 3,4 mil por mês, mas entre 2019 e 2021 teve mais de meio milhão em sua conta de origem não identificada, o que chamou a atenção da Polícia Civil. Em sua movimentação financeira no período, havia transferências para Senival Moura e para Lourival Monário, ainda que após a morte de Adauto ele não tivesse mais, formalmente, nenhum vínculo com a Transunião.