O grande técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo montou times goleadores, craques da bola. Cunhou um famoso mantra: “O medo de perder tira a vontade de ganhar”.
Na tribo dos economistas, prevalece a convicção de que “com menos dá mais”, o mantra diário que inocula nas veias e no inconsciente coletivo: o medo de ganhar tira a vontade de fazer.
Ajuste, ajuste e mais ajuste é o lema que infesta o espírito dos fanáticos que repetem: a economia monetária-financeira capitalista deve buscar o equilíbrio. O equilíbrio acima de tudo. Na contramão dessa crença, temos a impressão de que as experiências do capitalismo ao longo de todos os tempos revelam a existência de uma dinâmica amparada nos movimentos do circuito monetário-financeiro. Movimentos que supõem a alternância entre estabilidade e instabilidade. Nada de equilíbrio.
A formação da renda monetária do Estado, das empresas e das famílias está submetida a uma lógica simples: João não vende. Se não vende, não compra de José, que, por sua vez, não encomenda os produtos de Mário. Mário deixa de produzir e dispensa seus operários. Os trabalhadores, despojados dos salários, não compram de João. João reduz ainda mais suas compras de José. Nessa embalada da contração do circuito mercantil, a economia afunda e o dinheiro some.













