Nenhum traço de nossa cultura futebolística é tão daninho como a recusa a avaliar adversários de maneira realista. Prestamos atenção só a uma equipe quando vemos o jogo.

Nosso padrão é "como o Verdão empata com a baba do Mirassol?". Você não sabe nada sobre o Mirassol e não se deu ao trabalho de observá-lo, mas indignar-se com o "vexame" gera engajamento.

Lembro-me de quando jornalistas brasileiros diziam que França e Espanha "não são nada" e "nunca venceram", como se a ausência de um título mundial nos dissesse tudo sobre elas. De lá pra cá, ganharam mais que nós.

Ouvíamos na TV que "a Alemanha pratica algo que se assemelha ao futebol", na época em que ela já estava transformada pela revolução guardiolista. Veio o 7 a 1 e a frase foi aposentada.

Em 2018, a Bélgica entrou na lista dos que não estamos autorizados a desprezar. Mudamos o objeto de nossa soberba e nunca aprendemos.