Bola rolando. Estava com um pé atrás com essa novidade de 48 seleções, mas errei. Está bonito, estrelas se misturam com anônimos, e os jogos cheios de zebras, derrubando bolão, são pura diversão. A goleada que Curaçao levou não abateu o time. O técnico chorou pelo gol inesperado e emocionou a todos. PUBLICIDADETorci por Cabo Verde como se fosse o Botafogo. O goleiro Vozinha, Josimar em homenagem ao lateral alvinegro, pegou tudo contra a poderosa Espanha. Aos 40 anos, virou xodó. Jogadores de todas as partes do mundo, árabes, africanos, asiáticos e latinos, nativos ou descendentes, vão dando show. Grandes craques da França são filhos de imigrantes e Balugon, de pais nigerianos, fez dois gols na estreia dos EUA. Legal ver tantos povos juntos e misturados.A semana teve de tudo: alegria dos estreantes, goleadas, despedida de veteranos e hat trick. Romário tem razão: não tem mais bobo no futebol. Só nós. Vimos uma seleção apática e um técnico sem inspiração. Atletas experientes atribuíram o fiasco à ansiedade. Constrangedor quando se vê a energia de uma Costa do Marfim e a alegria de Curaçao ou jogos como Inglaterra e Croácia. A de 1966 foi a última Copa em que Garrincha e Pelé jogaram juntos Foto: ReproduçãoMinha primeira Copa foi a de 66. Passeando com meu avô pelas Paineiras, onde ficava a concentração, demos de cara com Pelé e Garrincha. Que sorte! A derrota para Portugal foi frustrante, o papel picado foi para o lixo: e o técnico Feola, muito xingado pela perda do tri. Criança, não liguei muito. Só me importava a imagem dos dois deuses do futebol gravada (até hoje) na memória. 1970 foi especial para uma botafoguense; depois de 62 e 58, era a consagração da “Selefogo”. O jogo contra a Inglaterra foi o que mais me marcou. A cabeçada perfeita de Pelé e a defesa de Banks. Uma vitória apertada contra a então campeã. Havia uma polêmica sobre se era correto torcer pelo país de Médici, da ditadura e da tortura. Mas Copa é Copa, e fui para as ruas com meus irmãos, enrolados na bandeira. PublicidadeTorcedores xingavam a coitada da rainha. Sem entender bem o significado do coro, me juntei a eles. Foi meu batismo. Depois, vieram o tetra e o penta. E lá se vão 24 anos. Perdemos o posto da seleção mais temida. Não me acostumo. Sou do tempo do, “com brasileiro, não há quem possa”.Mesmo sem acreditar muito nesta seleção, levei os netos ao Maracanã para assistir ao último amistoso. Até patrocinador não está levando fé. O slogan “tá liberado acreditar” revela o baixo astral.Mas o mar de camisas amarelas e o mosaico da bandeira subindo foi de arrepiar. E, quando veio a segunda parte do hino cantada à capela, desabei. Esqueçamos Brasília, é Copa.