Foi na Copa de 1990, quando eu tinha sete anos, que ouvi falar da Tchecoslováquia, da Iugoslávia e da União Soviética 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cerimônia antes da partida entre Portugal e RD Congo — Foto: Lars Baron/Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 21:16 Álbuns de Figurinhas da Copa de 1990: Nostalgia e Conexões Culturais A Copa do Mundo de 1990 marcou a infância de muitos, revelando países desconhecidos através de álbuns de figurinhas, antes mesmo do torneio começar. Este ritual de colecionar e trocar figurinhas despertava curiosidade e ensinava sobre culturas, bandeiras e sobrenomes, como "sen", "son" ou "ic". Hoje, com a tecnologia, o acesso à informação é vasto, mas falta o engajamento genuíno que o futebol e seus álbuns proporcionavam. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando eu era criança, a Copa do Mundo começava muito antes do primeiro jogo. Começava no álbum de figurinhas. Foi assim que descobri a existência de países que jamais havia ouvido falar. Camarões, Bulgária, Arábia Saudita, Nigéria, Romênia... Antes de conhecer suas histórias, eu conhecia suas bandeiras. Antes de localizar esses países no mapa, eu já sabia a cor das suas camisas. Lembro da estranheza que sentia ao encontrar nomes que pareciam pertencer a mundos diferentes. Os dinamarqueses terminavam em “sen”. Os suecos em “son”. Os croatas e sérvios quase sempre carregavam um “ic” no sobrenome. Quando descobri que essas terminações significavam “filho de”, senti a mesma satisfação de quem encontra uma peça escondida de um quebra-cabeça. Como se tivesse descoberto um segredo, uma chave capaz de explicar um pedaço do mundo. Passei dias repetindo aquilo para amigos na escola e na rua em que eu morava. Eu não estava estudando, estava brincando. Na rua eu me tornei Paulov Andreov. No clube, Dediberg. A curiosidade tinha encontrado seu caminho. Tudo isso acontecia enquanto trocávamos figurinhas no recreio. Enquanto discutíamos escalações. Enquanto tentávamos completar um álbum. Esta semana, já adulto, trabalhando na Copa, descobri que sobrenomes turcos terminados em “oglu” carregam exatamente a mesma ideia. Também significam “filho de”. Apesar de já não ser mais um menino, a sensação foi praticamente a mesma. Foi na Copa de 1990, quando eu tinha sete anos, que ouvi falar da Tchecoslováquia, da Iugoslávia e da União Soviética. Anos depois, aquelas bandeiras saíram do álbum e entraram no noticiário. As guerras dos Bálcãs, o fim da União Soviética, as transformações da Europa... A história foi me dando contexto, o álbum ficou para trás. A curiosidade, não. Hoje, carregamos o mundo todo na palma da mão. Algoritmos. Redes sociais. Vídeos de poucos segundos. Notificações permanentes. Nunca tivemos tanto acesso à informação. E nunca foi tão difícil despertar interesse genuíno. A Copa me abriu o mundo. O futebol me permitiu conhecê-lo. Por isso me pergunto: quais são os álbuns que estão apresentando o mundo às crianças de hoje?
Quando eu era criança, a Copa do Mundo começava muito antes do primeiro jogo
Foi na Copa de 1990, quando eu tinha sete anos, que ouvi falar da Tchecoslováquia, da Iugoslávia e da União Soviética






