Uma mistura de alegria, cumplicidade e surpresa. O que Josimar Dias fez em campo, o Vozinha, jogando de peito aberto contra os ícones da Espanha, carrega aquilo que todo torcedor brasileiro, à míngua, espera de uma seleção.
Ver o goleiro de Cabo Verde emocionado ao dizer que trabalhou a vida inteira para chegar a este momento, e segurar os espanhóis, faz brotar um bocado de empatia e, lá, no fundo, de inveja também.Não é só a simplicidade de suas palavras ditas após jogo, mas principalmente a verdade que elas carregam, que faz ruir o salto alto, o discurso marqueteiro e pronto que, muitas vezes, costuma sair da boca indiferente da maioria dos jogadores do Brasil, para comentar o que quer que seja.
O goleiro de 40 anos que carrega o apelido herdado por ter sido criado por seus avós despacha a arrogância para longe, conquista com seu talento. Vozinha já é um dos personagens mais cativantes desta Copa. É o protagonista de um dos 0 a 0 mais emocionantes da história do futebol.
No próximo domingo, Cabo Verde, um país estreante em Mundiais, voltará a campo. Será a vez de encarar o Uruguai. Vozinha pode até ter a rede furada pela primeira vez. É do jogo. Mas é certo que todos estarão ligados para vibrar com a entrega do goleiro que barrou "la furia roja".O Brasil ainda busca o seu Vozinha, embalado por uma desconfiança de que, talvez, este nem tenha embarcado para a Copa. A tal reconexão, o esperado reencontro da seleção com o povo não passará por jogos apáticos, tampouco só por vitórias.












