Operação deflagrada nesta quinta prendeu vereador do PT, que seria 'elo' entre crime organizado e empresa de ônibus; polícia aponta conexões com empresa de combustíveis e com operação que atingiu Deolane 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ônibus da Transunião — Foto: Reprodução/TV Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 15:18 Operação Última Parada: Vereador e Transunião Ligados ao PCC A operação Última Parada, realizada pela Polícia Civil e MP-SP, revelou conexões entre a Transunião Transportes e o PCC, com o vereador Senival Moura (PT) atuando como verdadeiro controlador da empresa. A investigação destaca transações suspeitas com a Duvale Distribuidora e envolve figuras como Deolane Bezerra. A Transunião estaria lavando dinheiro para o PCC, segundo a polícia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Transunião Transportes, empresa que opera ônibus na Zona Leste de São Paulo e que foi alvo da Operação Última Parada, nesta quinta-feira (25), fez negócios com a Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool, segundo a Polícia Civil. A distribuidora foi alvo da operação Carbono Oculto e, como mostrou o GLOBO, passou de uma "empresa falida" com "faturamento nulo", em 2020, a um negócio altamente rentável, de R$ 2,79 bilhões, em 2021. Outro elo da Transunião seria com o esquema de lavagem de dinheiro que envolve a advogada e ex-influenciadora Deolane Bezerra: o presidente da empresa, Lourival França Monário, seria ligado ao operador alvo da Operação Vértix, deflagrada no mês passado contra Deolane. Segundo a Polícia Civil paulista, a Transunião movimentou mais de R$ 2 milhões com a Duvale. Durante o ano de 2022, ocorreram diversas transferências bancárias da Transunião para a Duvale, como o pagamento de um boleto no valor aproximado de R$ 152 mil e uma transferência no montante de R$ 30 mil. A Duvale era a principal fornecedora individual da Transunião em 2021, somando um total de R$ 2,3 milhões negociados entre as duas empresas. No inquérito que embasou a operação desta quinta, a Polícia Civil lembra que a Duvale “passou a integrar complexa estrutura criminosa dedicada à lavagem de capitais em larga escala” para o PCC e aponta a possibilidade das operações com a Transunião “possam ter sido instrumentalizadas como mecanismos de circulação e dissimulação de recursos oriundos de atividade criminosa”. Presidente da Transunião, Monário possuía automóveis de luxo da Porsche, Jaguar e Land Rover, que seriam incompatíveis com os valores declarados legalmente por eles e com seu endereço residencial, na periferia da Zona Leste paulistana. Durante a Operação Vérnix, realizada em maio e no âmbito da qual foi presa por suspeitas de ligação com o PCC, foi descoberta a relação de Lourival com Everton de Souza, conhecido como “player”. Na Vérnix, foi apurado que Everton seria o intermediário das operações de Deolane e a cúpula do PCC, com quem ele teria contato direto, inclusive com Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Nos documentos analisados no âmbito daquela operação, constatou-se que a Transunião, sob a gestão de Lourival, também fazia parte do esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A relação entre os dois seria indireta, segundo a polícia Civil, por "intermédio de vínculos patrimoniais". Everton transferiu um registro de um carro, um Volkswagen Tiguan, a Lourival. Como a polícia também aponta suspeitas sobre os automóveis de "valor elevado", afirma que há um "cenário compatível de ocultação patrimonial". Entenda o esquema A operação Última Parada, da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), saiu às ruas nesta quinta para cumprir cinco mandados de prisão, um deles contra o vereador da capital Senival Moura (PT). Também foram presos Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão” e Devanil de Souza Nascimento, conhecido como “Sapo”. Também são alvos de mandados de prisão Leonel Moreira Martins e Lourival de França Monario, mas eles não foram encontrados. Segundo as investigações, a Transunião serviria como meio para lavar dinheiro para o PCC, e que o vereador Senival atuaria como verdadeiro dono da empresa, ainda que não faça parte do quadro societário. A empresa tem um contrato com a Prefeitura de São Paulo opera 30 linhas na Zona Leste da capital. A investigação teve início após a morte de Adauto Soares Jorge, em março de 2020. Ele foi morto a tiros no estacionamento de uma padaria em Lajeado, na Zona Leste de São Paulo. Com a apreensão de celulares e pen-drives, foi possível verificar como funcionava a gestão financeira da empresa, e suas relações com Senival Moura e outras pessoas. Segundo a Polícia Civil, Adauto foi morto após desentendimentos internos sobre a condução financeira da empresa, e suspeitas de desvios de recursos que beneficiariam o grupo de Senival Moura. A morte dele, ainda de acordo com as investigações, possibilitou uma mudança de controle dos fluxos econômicos da Transunião. Segundo o inquérito, a empresa tinha uma estrutura de comando informal, associada a pessoas com possível vínculo com o PCC, e sua atividade econômica vinculada ao transporte público coletivo da capital também servia como forma de lavar dinheiro para a facção criminosa. A ligação de Senival à empresa foi constatada por meio de mensagens e análise de contas bancárias. Em diversas conversas, Leonel Moreira Martins, apontado como “operador” do esquema e que fazia o intermédio dos repasses entre a Transunião e Senival Moura, cita seu nome, ora como "vereador", ora como "veio". Era Leonel quem pedia, com frequência, que Adauto liberasse transferências de dinheiro — que depois, descobriu a polícia, eram repassadas para Senival. Em mensagens obtidas pela investigação, é possível ver Leonel pedindo a Adauto “não se esquece dos 20, já conversamos sobre isso com o veio” e “5 mil nesta conta na quarta-feira, já conversei com o veio”. Veio, segundo as apurações, era um dos termos pelo qual Senival era chamado por Leonel e Adauto. Em agosto de 2019, por exemplo, Leonel chega a mandar que Adauto deposite R$ 53 mil e diz que já falou “com o vereador”.