Terras raras estão entre os minerais críticos que ameaçam estratégia de defesa europeia — Foto: Peggy Greb / Wikimedia Commons Os planos da União Europeia para reforçar suas capacidades de defesa estão sendo prejudicados pelos controles de exportação e restrições de venda de matérias-primas críticas impostos pela China. Os líderes do bloco agora pedem aos países que acelerem a diversificação de suas cadeias de suprimentos. A Comissão Europeia — o braço executivo da União Europeia — afirmou na semana passada que proporá uma nova lei que exigirá que as empresas do bloco expandam seus fornecedores para corrigir os desequilíbrios econômicos, embora não tenha mencionado a China. A guerra da Rússia na Ucrânia e a crescente incerteza sobre as garantias de segurança de Washington levaram os governos europeus a aumentar os gastos e a produção militar. No entanto, para 17 dos 34 materiais classificados como críticos pela União Europeia, a China responde por pelo menos 70% da extração ou refino global. Oito desses 34 materiais estão sujeitos a controles de exportação chineses, segundo relatório do Instituto Europeu de Estudos de Segurança (EUISS), a agência do bloco para análise de política externa, de segurança e de defesa. "A China está minando os esforços de rearme da Europa", disse Joris Teer, analista de políticas do EUISS. "Ao implantar essa arma, a China já aumentou sua influência, sinalizando tanto sua capacidade quanto sua disposição de restringir o fornecimento a qualquer momento que desejar", escreveu Teer. Os desenvolvimentos geopolíticos e a intensificação da competição global por matérias-primas críticas ressaltam a crescente necessidade de fortalecer as cadeias de suprimentos da Europa, afirmou a Associação das Indústrias Aeroespaciais, de Segurança e de Defesa da Europa. A organização representa mais de 4 mil empresas, incluindo a britânica BAE Systems, a francesa Thales e a alemã Rheinmetall. Os fabricantes europeus de defesa estão adotando diversas estratégias, incluindo integração vertical, reciclagem, diversificação e formação de estoques. A Rheinmetall declarou ao “Nikkei Asia” que não possui "dependências" e está "bem preparada em relação a minerais críticos". "A Rheinmetall armazenou matérias-primas essenciais em quantidade suficiente para vários anos", disse um porta-voz. "Implementamos sistemas de TI que nos permitem monitorar e controlar centralmente o consumo de matérias-primas em todo o grupo com precisão." Mas analistas alertam que o armazenamento por si só não será suficiente. "O armazenamento é uma importante proteção contra interrupções imediatas, mas por si só é improvável que reduza os danos estruturais a longo prazo", disse Maria Shagina, pesquisadora sênior do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. Ela afirmou que levará anos para que fontes alternativas substituam os volumes ou a variedade de minerais críticos controlados por Pequim. Em 2024, a União Europeia introduziu a Lei Europeia de Matérias-Primas Críticas, com o objetivo de reconstruir as cadeias de suprimentos nacionais para esses minerais. Ela estabelece metas para 2030 para extração, processamento e reciclagem nacionais, limitando a dependência de qualquer fornecedor de um país terceiro a 65%. Um fundo de 3 bilhões de euros (US$ 3,5 bilhões) foi lançado no ano passado para acelerar projetos estratégicos. Mas o Tribunal de Contas Europeu observa que as metas para 2030 não são vinculativas e que o bloco ainda está longe de alcançá-las. Grupos industriais afirmam que as inconsistências nas políticas podem atrasar ainda mais o progresso. O Instituto do Cobalto, que representa um setor vital para motores a jato, baterias avançadas e ligas de defesa, afirmou que as propostas de regulamentação da União Europeia relativas a produtos químicos correm o risco de enfraquecer o setor. "A Europa está com um pé dentro e outro fora", disse Michael Blakeney, chefe de assuntos governamentais e públicos do instituto, com sede em Londres. "Diz tudo certo, mas o que faz é incoerente." Os esforços da Europa coincidem com uma abordagem agressiva dos Estados Unidos para garantir as cadeias de suprimento de minerais críticos. "Os Estados Unidos estão investindo mais, assumindo maiores riscos financeiros e, em alguns casos, adquirindo participações acionárias para garantir e desenvolver capacidade", disse Shagina. "Em contrapartida, a Europa tem sido geralmente mais cautelosa, o que a coloca em relativa desvantagem na competição por minerais críticos." Em abril, a União Europeia assinou um acordo com os Estados Unidos para coordenar o fornecimento de minerais críticos. Após uma resistência inicial devido a receios de que isso pudesse diluir a autonomia estratégica do bloco, os Estados-membros autorizaram a Comissão Europeia, no início de junho, a aderir à iniciativa Pax Silica, liderada pelos Estados Unidos, que coordena políticas de investimento e controle de exportações. Teer instou o bloco europeu a usar as negociações em curso entre Estados Unidos, União Europeia e Japão como o "núcleo" de uma coalizão mais ampla para tornar a produção de minerais críticos fora da China financeiramente viável, apoiada por incentivos estatais, preços mínimos e regras de aquisição. "Particularmente importantes são os produtores de matérias-primas, ou detentores de depósitos, como Malásia, República Democrática do Congo, Brasil e Indonésia, bem como países com vasto potencial de mão de obra qualificada, como a Índia", escreveu ele no artigo. Para dissuadir novas restrições chinesas, ele afirmou que a União Europeia também deveria ativar seu instrumento anticoerção, que lhe permite impor tarifas e restrições como resposta à coerção econômica por parte de países fora do bloco. Um porta-voz da Comissão Europeia disse que o bloco "há muito reconhece os riscos associados à dependência da União Europeia em relação a matérias-primas críticas". "O objetivo é claro: antecipar as interrupções e reduzir as vulnerabilidades da União Europeia à medida que ampliamos nossas capacidades industriais e de defesa", disse o porta-voz.
Controle de minerais pela China ameaça rearmamento da União Europeia
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