Comissários europeus se reuniram nesta sexta-feira (29) para discutir formas de proteger a indústria europeia do aumento das importações chinesas e garantir fontes alternativas de insumos essenciais e minerais críticos, reduzindo a forte dependência do bloco em relação à China. O braço executivo da União Europeia pretende apresentar propostas antes da cúpula de líderes do bloco, marcada para 18 e 19 de junho. Entre as medidas em discussão estão a exigência de que empresas europeias diversifiquem suas cadeias de suprimento e a criação de novos instrumentos comerciais para restringir o acesso da China aos mercados de produtos químicos, metais e tecnologias limpas. Potências ocidentais vêm tentando reverter parte da transferência de produção para a China que atingiu seu auge no início dos anos 2000 e contribuiu para o enfraquecimento de polos industriais e da capacidade produtiva no Ocidente, especialmente nos Estados Unidos e na União Europeia. Os países do G7 também discutirão desequilíbrios comerciais e excesso de capacidade produtiva durante a cúpula do grupo em meados de junho. As discussões se deram em meio ao uso crescente, por parte da China, de sua posição dominante na produção de terras raras e outros metais críticos para setores como defesa, tecnologia, energia e indústria automotiva. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promoveu a agenda “America First” e, no início deste ano, a União Europeia propôs uma nova política de “Compre Europeu” e a iniciativa “RESourceEU” para acelerar o desenvolvimento de cadeias de suprimento de minerais críticos dentro do bloco e por meio de parcerias com países ricos em recursos minerais, da Ásia Central à Austrália e ao Brasil. O Ministério das Relações Exteriores da China acusou a União Europeia na quinta-feira de utilizar dados comerciais de forma seletiva para sustentar alegações de desequilíbrios e tem ameaçado repetidamente adotar “fortes contramedidas” caso o bloco implemente a política de “Compre Europeu” e novas regras de soberania tecnológica. Pequim rejeita a ideia de que suas práticas comerciais sejam injustas. A indústria europeia enfrenta um ambiente mais difícil do que seus concorrentes americanos, lidando com custos de energia estruturalmente mais elevados e regulamentação mais rígida. O comissário europeu para a Indústria, Stephane Sejourne, afirmou nesta semana que deseja que os instrumentos comerciais já existentes no bloco, como tarifas de importação e cotas, sejam usados “de forma mais sistemática” entre os diversos setores, em vez de focarem em empresas ou matérias-primas específicas. A União Europeia já tentou conter parte das importações chinesas, mas os resultados foram mistos. O bloco impôs tarifas sobre veículos elétricos chineses fortemente subsidiados, mas deixou de fora os modelos híbridos. Os híbridos responderam por quase 40% dos novos registros de automóveis neste ano, e a participação das montadoras chinesas no mercado europeu continua aumentando.
Comissão Europeia debate mudança de políticas para proteger indústrias da China
Potências ocidentais tentam reverter parte da transferência de produção para o país asiático, que contribuiu para o enfraquecimento de polos industriais e da capacidade produtiva no Ocidente












