Juiz vai determinar nova data para recomeçar júri do zero, e depoimentos desta segunda serão desconsiderados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fachada do Fórum Criminal de Guarulhos (SP) onde ocorre o julgamento dos assassinos do corretor de imóveis Antônio Vinícius Gritzbach — Foto: Hyndara Freitas RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 19:39 Tensão em julgamento de PMs: júri anulado após confronto verbal Uma discussão entre advogados de defesa e a promotoria levou ao cancelamento do julgamento de policiais militares acusados de executar Vinicius Gritzbach no Aeroporto de Guarulhos. O juiz decidiu anular o júri após a defesa abandonar o plenário devido a um confronto verbal com o promotor. O julgamento será remarcado e os depoimentos do primeiro dia desconsiderados. O clima tenso foi marcado por acusações mútuas e questionamentos sobre a perícia do caso. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma briga entre os advogados de defesa e a promotoria fez com que o julgamento dos policiais militares acusados de executar e planejar e assassinato de Vinicius Gritzbach, no Aeroporto de Guarulhos, em novembro de 2024, fosse cancelado na noite desta segunda-feira. Era o primeiro dia do juri, que estava previsto para terminar na sexta-feira (26). A defesa decidiu abandonar o plenário após a discussão com um representante do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Com isso, o juiz declarou a anulação do júri e informou que vai designar uma nova data e um novo júri para o caso. Os depoimentos das sete pessoas ouvidas hoje serão desconsiderados. O clima entre os quatro advogados que defendem o soldado Ruan Silva Rodrigues, o cabo Denis Antônio Martins e o tenente Fernando Genauro da Silva já estava tenso desde o início do dia, mas uma nova briga à noite fez com que eles decidissem abandonar o plenário. O dia foi marcado por brigas e bate-bocas entre a defesa e o promotor. O clima de tensão aumentou durante o depoimento do perito Leandro Lopes, da Polícia Técnico-Científica, quando um dos advogados dos policiais chegou a sair da tribuna e ameaçou deixar o julgamento após reclamar de “desrespeito” do representante do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que por sua vez disse que o advogado “conversa com matador de aluguel”. A tensão começou quando o perito, uma das testemunhas arroladas pelo MP-SP, foi questionado pelo promotor Rodrigo Merli a respeito do laudo pericial que fez sobre o local do crime, ocorrido no Aeroporto de Guarulhos, em novembro de 2024. Há algumas semanas, a defesa dos policiais militares réus protocolou no processo um parecer que questiona diversos pontos da perícia. O promotor então atuou para desconstruir cada ponto desse parecer por meio se suas perguntas ao perito. A defesa, por sua vez, tentou desqualificar o perito e chegou a pedir ao juiz que ele fosse desconsiderado como testemunha porque, dias antes do julgamento, se reuniu com o promotor — os advogados insinuaram que os dois teriam “combinado” o depoimento. O juiz Rodrigo Tellini Camargo negou o pedido. A defesa então começou a questionar alguns pontos da perícia, especialmente em relação aos materiais genéticos identificados na maçaneta traseira do Volkswagen Gol usado no crime, que apontou a relação do crime com o soldado Ruan Silva Rodrigues — um dos réus no caso. Já em roupas encontradas próximas ao local do crime, também foi encontrado DNA compatível com outro réu, o cabo Denis Martins. A defesa alega provas forjadas. Durante o questionamento do advogado Renan Canto ao perito, o promotor passou a caminhar pela tribuna e fez um comentário após a resposta do perito sobre o local onde foi encontrado um colete a prova de balas que consta do laudo pericial. Segundo o perito, o colete foi encontrado no porta-malas do Gol, mas depois foi movido para o banco traseiro para que fosse fotografado porque não foi possível abrir a porta do porta-malas. O promotor disse que o advogado “não prestou atenção no processo”. Neste momento, o advogado indagou ao promotor: — Quer combinar com a testemunha de novo? Quer cinco minutos com ele, se você quiser eu vou até no banheiro. O promotor então disse: — Pode dar seu chilique, o senhor conversa com bandido, eu converso com polícia. Com matador de aluguel o senhor conversa — disse Merli. Canto então disse que não iria permitir “esse tipo de aviltamento à advocacia” e que “esse sujeito é habitué em não respeitar nada nem ninguém”, e ameaçou ir embora, chegando a sair da tribuna e ir até a porta do plenário. Houve provocações entre o promotor e os advogados, que ainda chegaram a questionar se o promotor “conversou com o Baena”, referindo-se ao policial civil Fábio Baena, que foi citado na delação que Gritzbach fez antes de morrer, na qual relatou um esquema de corrupção na Polícia Civil paulista. Outro advogado dos policiais chegou a chamar o promotor de “folgado”. O juiz então pediu que o promotor não caminhasse mais pelo plenário durante a inquirição da defesa ao perito. Cerca de dez minutos depois, os ânimos se acalmaram e o depoimento foi retomado. Os três policiais réus apontados como participantes diretos no homicídio são o soldado Ruan Silva Rodrigues, o cabo Denis Antônio Martins e o tenente Fernando Genauro da Silva. Segundo a promotoria, os dois primeiros são os atiradores que realizaram a execução. Já o terceiro é apontado como o condutor do veículo utilizado para levar os executores ao aeroporto, além de ter ajudado na fuga logo em seguida. Em entrevista coletiva após a confusão no plenário, o promotor falou que a defesa tenta "tensionar" o julgamento para embolar o processo. — Isso já demonstra que eles pretendem, na verdade, não levar esse julgamento adiante. Qualquer incidente, eles vão tentar se utilizar para se vitimizarem e saírem do plenário. Mas é aquela velha história, eu vejo esses advogados, essa banca de advogados bastante conhecidos, que advogam para muitos casos conhecidos e nas redes sociais, na imprensa, eles parecem verdadeiros leões. Mas quando vêm efetivamente para o tribunal do júri, deu para perceber que não passam de gatinhos — disse Merli. Também a jornalistas após a confusão no tribunal, o advogado Cláudio Dalledone, que faz parte da defesa dos policiais em julgamento, disse que "é o Ministério Público que está fazendo de tudo para que esse júri não termine". — E justamente porque as revelações que serão feitas no plenário não socorrem a pretensão dele. Ele (promotor) está emendando, ele já chamou o perito depois que nós juntamos prova contestatória desses exames que estão ali nos autos, então ele está fazendo ali um jogo de cena para que esse júri seja interrompido — falou.
Após briga entre promotor e defesa, julgamento de PMs acusados de executar Gritzbach é cancelado
Juiz vai determinar nova data para recomeçar júri do zero, e depoimentos desta segunda serão desconsiderados
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