Júri de três policiais réus pela morte do empresário, ocorrida em novembro de 2024, começou nesta segunda com a oitiva de sobreviventes e testemunhas da acusação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fachada do Fórum Criminal de Guarulhos (SP) onde ocorre o julgamento dos assassinos do corretor de imóveis Antônio Vinícius Gritzbach — Foto: Hyndara Freitas RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 15:40 Julgamento de Policiais pela Morte de Empresário Começa com Tensão O julgamento dos três policiais acusados pela morte do empresário Vinícius Gritzbach começou com tensão e conflitos. O advogado de defesa ameaçou deixar o tribunal após desentendimentos com o promotor, que acusou o advogado de "conversar com matador de aluguel". A defesa contestou a perícia que relaciona os réus ao crime, enquanto o juiz negou pedidos para desconsiderar testemunhas. O julgamento prossegue ao longo da semana com depoimentos e debates. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O primeiro dia de julgamento dos três réus acusados de participarem da execução do corretor de imóveis e empresário Vinícius Gritzbach foi marcado por brigas e bate-bocas entre a defesa e o promotor do caso. O clima de tensão aumentou durante o depoimento do perito Leandro Lopes, da Polícia Técnico-Científica, quando um dos advogados dos policiais chegou a sair da tribuna e ameaçou deixar o julgamento após reclamar de “desrespeito” do representante do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que por sua vez disse que o advogado “conversa com matador de aluguel”. A tensão começou quando o perito, uma das testemunhas arroladas pelo MP-SP, foi questionado pelo promotor Rodrigo Merli a respeito do laudo pericial que fez sobre o local do crime, ocorrido no Aeroporto de Guarulhos, em novembro de 2024. Há algumas semanas, a defesa dos policiais militares réus protocolou no processo um parecer que questiona diversos pontos da perícia. O promotor então atuou para desconstruir cada ponto desse parecer por meio se suas perguntas ao perito. A defesa, por sua vez, tentou desqualificar o perito e chegou a pedir ao juiz que ele fosse desconsiderado como testemunha porque, dias antes do julgamento, se reuniu com o promotor — os advogados insinuaram que os dois teriam “combinado” o depoimento. O juiz Rodrigo Tellini Camargo negou o pedido. A defesa então começou a questionar alguns pontos da perícia, especialmente em relação aos materiais genéticos identificados na maçaneta traseira do Volkswagen Gol usado no crime, que apontou a relação do crime com o soldado Ruan Silva Rodrigues — um dos réus no caso. Já em roupas encontradas próximas ao local do crime, também foi encontrado DNA compatível com outro réu, o cabo Denis Martins. A defesa alega provas forjadas. Durante o questionamento do advogado Renan Canto ao perito, o promotor passou a caminhar pela tribuna e fez um comentário após a resposta do perito sobre o local onde foi encontrado um colete a prova de balas que consta do laudo pericial. Segundo o perito, o colete foi encontrado no porta-malas do Gol, mas depois foi movido para o banco traseiro para que fosse fotografado porque não foi possível abrir a porta do porta-malas. O promotor disse que o advogado “não prestou atenção no processo”. Neste momento, o advogado indagou ao promotor: — Quer combinar com a testemunha de novo? Quer cinco minutos com ele, se você quiser eu vou até no banheiro. O promotor então disse: — Pode dar seu chilique, o senhor conversa com bandido, eu converso com polícia. Com matador de aluguel o senhor conversa — disse Merli. Canto então disse que não iria permitir “esse tipo de aviltamento à advocacia” e que “esse sujeito é habitué em não respeitar nada nem ninguém”, e ameaçou ir embora, chegando a sair da tribuna e ir até a porta do plenário. Houve provocações entre o promotor e os advogados, que ainda chegaram a questionar se o promotor “conversou com o Baena”, referindo-se ao policial civil Fábio Baena, que foi citado na delação que Gritzbach fez antes de morrer, na qual relatou um esquema de corrupção na Polícia Civil paulista. Outro advogado dos policiais chegou a chamar o promotor de “folgado”. O juiz então pediu que o promotor não caminhasse mais pelo plenário durante a inquirição da defesa ao perito. Cerca de dez minutos depois, os ânimos se acalmaram e o depoimento foi retomado. Os três policiais réus apontados como participantes diretos no homicídio são o soldado Ruan Silva Rodrigues, o cabo Denis Antônio Martins e o tenente Fernando Genauro da Silva. Segundo a promotoria, os dois primeiros são os atiradores que realizaram a execução. Já o terceiro é apontado como o condutor do veículo utilizado para levar os executores ao aeroporto, além de ter ajudado na fuga logo em seguida. Nesta segunda ocorre o primeiro dia de julgamento, com a oitiva de dez testemunhas arroladas pelo MP-SP. A expectativa é que o julgamento dure até sexta-feira. O rito do julgamento Segunda-feira: serão ouvidas dez testemunhas arroladas pelo Ministério Público de São Paulo. Entre elas, dois sobreviventes que estavam no aeroporto no momento dos tiros; a viúva do motorista de aplicativo Celso Novais; o motorista de Gritzbach; a capitã da PM que presidiu o inquérito na Corregedoria; três oficiais da PM que fizeram cumprimento dos mandados de busca; a delegada que investigou o caso pela Polícia Civil; um perito criminal.Terça-feira: serão ouvidas onze testemunhas arroladas pelas defesas. Na sequência, os réus serão interrogados.Quarta-feira: Fase de debates. Os promotores de Justiça do MP têm duas horas e meia para a explanação, assim como os advogados dos réus.Quinta-feira: Ocorrem a réplica do MP e a tréplica da defesa.Sexta-feira: os sete jurados, convocados e escolhidos por sorteio, realizam a votação a portas fechadas. Em seguida, respondem às perguntas do juiz. A expectativa é que a sentença e a pena saiam até o final da sexta-feira.
Advogado ameaça deixar julgamento do caso Gritzbach após discussão com promotor: ‘Quer combinar com a testemunha’
Júri de três policiais réus pela morte do empresário, ocorrida em novembro de 2024, começou nesta segunda com a oitiva de sobreviventes e testemunhas da acusação










