O TCU (Tribunal de Contas da União) identificou falhas no controle de recursos transferidos pela União a empresas estatais federais e apontou brechas para uso irregular do dinheiro no custeio de despesas correntes, como folha de salários e outros gastos de manutenção das atividades.

O problema foi detectado nas companhias não dependentes, que recebem essa classificação justamente por terem receitas próprias suficientes para financiar seus gastos correntes e não precisarem da ajuda do Tesouro Nacional para tocarem suas operações.

O governo até pode injetar recursos nessas empresas, desde que o objetivo seja ampliar seu capital ou financiar projetos e investimentos. No entanto, o TCU não conseguiu reunir elementos suficientes para certificar que o dinheiro está sendo usado apenas para essas finalidades.

O diagnóstico foi um dos motivos de ressalva nas contas de 2025 do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O alerta não significa que as empresas efetivamente usaram os recursos para fins indevidos, mas sim que faltaram mecanismos de identificação para permitir o rastreio da verba durante o processo de auditoria.

Procurado, o MGI (Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos), a quem cabe a supervisão das estatais, afirmou em nota que "mantém diálogo constante com o TCU sobre o assunto". O órgão não respondeu se pretende desenvolver algum marcador específico para diferenciar o dinheiro de aportes.