Katie Kitamura queria escrever um romance que fosse como uma ilusão de ótica presente no imaginário de todo mundo: aquele desenho que pode ser visto como um coelho ou como um pato, a depender do ângulo que você escolhe.

As duas diferentes versões da imagem coabitam, sem ser antagônicas nem depender de uma tendência inata de cada pessoa. Oscilando os olhos para lá e para cá, todos conseguem ver os dois animais, como se a mesma figura interpretasse dois papéis ao gosto do freguês.

O resultado do experimento literário chega agora no Brasil em "Audição", um artefato literário que se tornou a obra mais admirada da escritora nipo-americana em franca ascensão, impressionando críticos e premiações —a autora foi finalista do Booker e do Pulitzer pela primeira vez com este seu quinto livro.

Agora no catálogo da Fósforo, editora que também promete o inédito "Intimidades" para o próximo semestre, Kitamura virá ao Brasil como uma das convidadas de destaque da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece de 22 a 26 de julho.

"Audição" é protagonizado por uma atriz próxima à casa dos 50 anos, casada há décadas com seu parceiro Tomas. No romance, sua história é fatiada quase exatamente ao meio.