Grupo de 18 peritos afirma que entendimento para encerrar a guerra no Oriente Médio prioriza questões militares, nucleares e econômicas, mas deixa de lado a repressão interna e as execuções no Irã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mulher iraniana passa por um enorme outdoor em apoio à seleção nacional de futebol do Irã para a Copa do Mundo de 2026, em Teerã — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 11:49 ONU Critica Acordo EUA-Irã por Negligenciar Direitos Humanos Especialistas da ONU criticam o memorando entre EUA e Irã por ignorar os direitos humanos. O documento, que visa encerrar a guerra no Oriente Médio, foca em questões militares e econômicas, mas negligencia a repressão interna no Irã. Acordo assinado por Trump e Pezeshkian é visto como incompleto pelos peritos, que destacam a necessidade de abordar os direitos humanos para um verdadeiro acordo de paz. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O acordo-quadro firmado nesta semana entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio não aborda de forma suficiente a situação dos direitos humanos na República Islâmica, afirmaram nesta sexta-feira especialistas da ONU. O memorando de entendimento assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e por seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, tem como objetivo pôr fim ao conflito desencadeado em 28 de fevereiro pelos ataques americanos e israelenses que mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Um grupo de 18 especialistas independentes da ONU em direitos humanos afirmou receber positivamente o acordo, mas advertiu em comunicado que “qualquer acordo que não aborde a situação dos direitos humanos no Irã será fundamentalmente incompleto”. — O memorando se concentra quase exclusivamente na retirada militar, na reabertura do Estreito de Ormuz, nos compromissos nucleares, no levantamento das sanções e em um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) — afirmaram. — O povo iraniano, que sofreu enormemente tanto com a agressão militar externa quanto com a repressão interna, quase não aparece nesse acordo. Os especialistas, que possuem mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas não falam em nome da organização, afirmaram que a guerra teve um impacto devastador no Irã e em toda a região, com milhares de civis mortos em bombardeios e milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas. Paralelamente, “as autoridades iranianas têm atuado com grande agressividade contra a dissidência”, destacaram. Segundo os especialistas, pelo menos 156 pessoas foram executadas no Irã desde o início da guerra. Desse total, ao menos 42 foram executadas por acusações relacionadas à espionagem e à segurança nacional. Outros milhares de iranianos "foram detidos e, segundo relatos, torturados, vítimas de desaparecimentos forçados, submetidos a falsas execuções ou obrigados a fazer confissões diante das câmeras", acrescentaram. — Um acordo que atende a interesses geopolíticos enquanto deixa de lado o povo iraniano não é um acordo de paz digno desse nome — insistiram os especialistas.