Como a guerra no Irã está espalhando caos no mundo?Aumento nos preços dos combustíveis e energia por causa do fechamento do Estreito de Ormuz tem provocado protestos e tumultos em muitos países. Crédito: Carolina Marins (roteiro), Ariel Liborio (edição), Vitória Schmitz (produção) e Felipe Pedro (fotografia)Gerando resumoO acordo anunciado por Estados Unidos e Irã para encerrar quase quatro meses de conflito no Oriente Médio reduziu a tensão na região, mas ainda deixa questões importantes sem resposta. Embora a assinatura de um memorando de entendimento esteja prevista para sexta-feira, 19, diversos detalhes do texto permanecem sob sigilo e deverão ser discutidos em novas rodadas de negociação.Veja o que já se sabe e o que ainda não é propriamente confiável sobre as negociações:WAR USA x Iran / Strait of Hormuz - Estreito de Ormuz - Um fuzileiro naval dos EUA a bordo do navio de transporte anfíbio de implantação avançada USS New Orleans (LPD 18) monitora o tráfego marítimo durante operações de bloqueio marítimo dos EUA 18 Abril 2026 Foto: CENTCOM/US Army Foto: CENTCOM/US ArmyAssinatura ainda está pendentePUBLICIDADEO memorando de entendimento que formaliza o fim da guerra deverá ser assinado na sexta-feira, em uma cerimônia na Suíça. Segundo uma fonte do governo americano, o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, já assinaram o documento eletronicamente.Apesar disso, o texto ainda não foi divulgado ao público. Durante a reunião de cúpula do G7, Trump afirmou que se trata de “um documento muito poderoso” e disse esperar que ele seja publicado em breve.PublicidadeTexto do acordo permanece sob sigiloAs autoridades dos dois países revelaram apenas partes do conteúdo do memorando. Sabe-se que o acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e estabelece as bases para novas negociações entre Washington e Teerã. No entanto, os termos completos do entendimento ainda não foram apresentados.Programa nuclear será tema de nova negociaçãoO principal ponto de divergência entre os dois países ainda não foi finalizado. O acordo prevê que, em até 60 dias, Estados Unidos e Irã iniciem uma nova rodada de negociações para tratar do programa nuclear iraniano. Segundo Trump, ainda estão em discussão possíveis limitações ao enriquecimento de urânio por parte de Teerã.Os Estados Unidos e Israel defendem que o Irã elimine suas reservas de urânio altamente enriquecido. O governo iraniano, por sua vez, insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos e reivindica o direito de continuar enriquecendo urânio.Sanções seguem sem definiçãoOutro tema que ficou para as próximas negociações é a suspensão das sanções impostas ao Irã. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou nesta terça-feira que as conversas sobre as restrições econômicas e o programa nuclear podem começar ainda nesta semana, após a assinatura do memorando.PublicidadeAté o momento, nenhum anúncio foi feito sobre eventual flexibilização das sanções americanas ou internacionais.Reabertura de Ormuz é uma das prioridadesA retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz aparece como uma das medidas mais concretas anunciadas até agora.Segundo Trump, a passagem deverá ser completamente reaberta na sexta-feira. Durante a guerra, o Irã bloqueou a rota estratégica, por onde passava cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás.O fechamento afetou exportações de combustíveis do Golfo e teve impacto sobre cadeias globais de abastecimento. Na segunda-feira, Trump afirmou que navios já começaram a deixar a região.PublicidadeLeia tambémTrump crítica atuação de Israel no Líbano e diz que governo sírio faria um ‘trabalho melhor’Netanyahu diz que Israel permanecerá no Líbano apesar de acordo firmado por Trump com o IrãAcordo de paz com Irã ressalta fracasso de aposta de Netanyahu na guerra e reeleição fica mais longeLíbano surge como ponto de tensãoO conflito entre Israel e o Hezbollah continua sendo uma fonte de incerteza. O chanceler iraniano afirmou que encerrar a guerra no Líbano é uma “parte inseparável” do fim do conflito regional. Do lado israelense, porém, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu declarou que as tropas do país permanecerão em Gaza, no Líbano e na Síria “pelo tempo que for necessário”.Próximos passos dependem das negociaçõesA assinatura do memorando não encerra as discussões entre Washington e Teerã. Questões consideradas centrais para os dois governos, como o programa nuclear iraniano, as sanções econômicas e os desdobramentos do conflito no Líbano, deverão ser debatidas nas próximas semanas.Por isso, embora o acordo represente um passo para o fim das hostilidades, os detalhes mais sensíveis da relação entre os dois países ainda dependem de negociações futuras. /AFPPublicidade
Fim da guerra? O que se sabe e o que ainda não é confiável sobre acordo de paz entre Irã e EUA
Texto do memorando permanece sob sigilo e deixa em aberto questões centrais, como o enriquecimento de urânio, as sanções contra Teerã e a situação no Líbano














